Vous êtes sur la page 1sur 45

1º Workshop Efluentes Industriais

31/01 à 02/02/2017

Pompéia, 2017.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água – Parâmetros físico-químicos


1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Físicas
• Vazão: É o volume de esgoto que passa pelo sistema de tratamento em um determinado
período de tempo (Q = V/t).

A vazão de esgotos pode ser determinada por inúmeros métodos:

1 – Norma;
2 – Consumo de água;
3 – Medição real;

A Vazão de esgotos é um dos principais parâmetros para o dimensionamento da estação de


tratamento:

Vazão de Infiltração;

Vazões de Pico;

Coeficiente Máximo Diário (k1) = 1,2


Coeficiente Máximo Horário (k2) = 1,5
1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Físicas

Turbidez: Característica física da água, decorrente da presença de substâncias em suspensão, ou seja, sólidos
suspensos, finamente divididos ou em estado coloidal, e de organismos microscópicos. Medida da redução
de transparência ou de impedimento da passagem da luz. A unidade de medida da Turbidez é NTU.

Origem: presença de sólidos em suspensão, tais como partículas inorgânicas (areia, silte, argila) e de detritos
orgânicos, algas e bactérias, plâncton em geral, etc.

 Os esgotos sanitários e diversos efluentes industriais também provocam elevações na turbidez das águas;

 Exemplo de efluente com alta turbidez: industria de mineração.

Turbidímetro Turbidez Medida de Turbidez


1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Físicas


Turbidez
Características importantes associadas ao parâmetro:

 Está relacionado com a quantidade de sólidos em suspensão.

 É parâmetro de classificação de corpo receptor (formação de bancos de lodo);

 Não é muito utilizado para medição de qualidade de efluentes (medida gravimétrica mais
utilizada - sólidos em suspensão);

 Parâmetro importante para reúso;

 Aumento de turbidez no decantador secundário de sistemas de lodos ativados pode ser um


indicativo de problemas no processo de formação de flocos.
Curiosidade: Efluentes de sistemas anaeróbios tendem a ter uma turbidez maior que em
sistemas aeróbios!
1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Físicas
COR
Cor: Cor de uma amostra de água é o grau de redução de intensidade que a luz sofre ao atravessá-la.

Origem:
Presença de sólidos dissolvidos, principalmente material em estado coloidal orgânico e inorgânico;

Dentre os colóides orgânicos pode-se mencionar os ácidos húmico e fúlvico, substâncias naturais
resultantes da decomposição parcial de compostos orgânicos presentes em folhas, dentre outros substratos;

Também os esgotos sanitários se caracterizam por apresentarem predominantemente matéria em estado


coloidal;

Diversos efluentes industriais contendo taninos (efluentes de curtumes, por exemplo), anilinas (efluentes
de indústrias têxteis, indústrias de pigmentos, etc.), lignina e celulose (efluentes de indústrias de celulose e
papel, da madeira, etc.).

 Há também compostos inorgânicos capazes de possuir as propriedades e provocar os efeitos de matéria


em estado coloidal. Os principais são os óxidos de ferro e manganês, que são abundantes em diversos tipos
de solo.

Alguns outros metais presentes em efluentes industriais conferem-lhes cor mas, em geral, íons
dissolvidos pouco ou quase nada interferem na passagem da luz.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Físicas


Cor
Determinação da Cor
 Comparação Visual: Método Platina – Cobalto (Cloroplatinato de Potássio + Cloreto de
Cobalto) Aparelho Comparador de Cor: Absorção de Luz. Disco de Cor: Escala de 0 a 100 mg Pt /
L

 Espectrofotometria na faixa UV – Visível: Efluentes Industriais


1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Físicas


Cor
Características importantes associadas ao parâmetro:

 É parâmetro de classificação de corpo receptor (formação de bancos de lodo);

 Não é parâmetro de lançamento de efluentes sanitários e industriais;

 Quando cor verdadeira geralmente está associada a compostos recalcitrantes;

 Quando não associada a compostos recalcitrantes ou tóxicos, muitas industrias


contam com o efeito de diluição para lançamento no corpo receptor já que, não é
parâmetro de lançamento.

 Se o processo adotado para a remoção de cor verdadeira elevada for físico-químico


(coagulação/floculação/decantação), será gerada uma grande quantidade de lodo.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Físicas


Sólidos
Em saneamento, sólidos nas águas correspondem a toda matéria que permanece como resíduo, após
evaporação, secagem ou calcinação da amostra a uma temperatura pré-estabelecida durante um tempo
fixado. Em linhas gerais, as operações de secagem, calcinação e filtração são as que definem as diversas
frações de sólidos presentes na água (sólidos totais, em suspensão, dissolvidos, fixos e voláteis).

SÓLIDOS
SEDIMENTÁVEIS

SDF (M) SDF (M)

(M) STF SDT(RF)

SDV (O) SDV (O)

ST(RT)

SSF (M) SSF (M)


(O) STV SST(RNF)
SSV (O) SSV (O)
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Físicas


Sólidos

Sólidos Totais
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Físicas


Sólidos
Sólidos Suspensos
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Físicas


Sólidos
Sólidos Fixos
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Físicas


Sólidos
Sólidos Sedimentáveis

Características importantes associadas ao parâmetro:

• Sólidos em Suspensão: Controle de unidades de separação de sólidos (decantadores, filtros,


flotadores), eficiências de processos de tratamento de efluentes;

• Sólidos em Suspensão Voláteis: Associado à concentração de biomassa (microrganismos) nos


reatores biológicos (anaeróbio e aeróbio) para tratamento de esgotos.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Físicas


Sólidos
Características importantes associadas ao parâmetro:
• A relação SSV/SST que representa o grau de mineralização de lodos. Por exemplo,
determinado lodo biológico pode ter relação SSV/SST = 0,8 e, depois de sofrer processo de
digestão bioquímica, ter esse valor reduzido abaixo de 0,4.

• O nível de sólidos sedimentáveis nos efluentes finais descarregados pelas indústrias é


também extremamente importante porse tratar de parâmetro da legislação. No Estado de
São Paulo, por exemplo, o limite máximo é de apenas 1 mL/L para a descarga direta no
corpo receptor e de 20 mL/L para a descarga no sistema público de esgotos provido de
estação de tratamento (Decreto Estadual n° 8468). Também na Resolução 430/2011 do
CONAMA aparece como padrão de emissão 1 mL/L de sólidos sedimentáveis;

• Os sólidos sedimentáveis são também padrão de classificação das águas naturais.

• A concentração de Sólidos Dissolvidos Totais (SDT) é um parâmetro de extrema importância


para sistemas de membranas.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Físicas


Temperatura

A temperatura é uma condição ambiental muito importante em diversos estudos relacionados


ao monitoramento da qualidade de águas. Sob o aspecto referente à biota aquática, a maior
parte dos organismos possui faixas de temperatura "ótimas" para a sua reprodução.

Características importantes relacionadas a temperatura:

• Maior a temperatura, menor é solubilidade de gases dissolvidos na água, em particular o


oxigênio - meses quentes no verão os níveis de oxigênio dissolvido nas águas poluídas são
mínimos, frequentemente provocando mortandade de peixes e, em casos extremos, exalação
de maus odores devido ao esgotamento total do oxigênio e consequente decomposição
anaeróbia dos compostos orgânicos sulfatados, produzindo o gás sulfídrico, H2S.

• Os modernos reatores utilizados no tratamento anaeróbio de efluentes industriais podem,


no Brasil, operar à temperatura ambiente, enquanto que na Europa necessitam de controle a
35°C.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Físicas


Temperatura

Características importantes relacionadas a temperatura:

• No Estado de São Paulo, é padrão de emissão de efluentes a temperatura máxima de 400C,


lançados tanto na rede pública coletora de esgotos como diretamente nas águas naturais. Além
disso, nestas últimas não poderá ocorrer variação superior a 30C com relação à temperatura de
equilíbrio. Isto é importante para efluentes industriais produzidos a quente, como os de
tinturarias, galvanoplastias, indústrias de celulose, etc.

• A temperatura das águas é medida de maneira bastante simples através de termômetros de


mercúrio.

• Os processos físico-químicos em que ocorre equilíbrio, como por exemplo a dissociação do


cloro e os processos de precipitação química, são também dependentes da temperatura, mas o
efeito não é tão significativo como nos processos biológicos.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Químicas


Matéria orgânica em águas
Origem:

Efluentes sanitários: Em um esgoto predominantemente doméstico, 75% dos sólidos em


suspensão e 40% dos sólidos dissolvidos são de natureza orgânica. Estes compostos são
constituídos principalmente de carbono, hidrogênio e oxigênio, além de outros elementos
como nitrogênio, fósforo, enxofre, ferro, etc. Os principais grupos de substâncias orgânicas
encontradas nos esgotos são carboidratos (25 a 50%), proteínas (40 a 60%) e óleos e graxas
(10%). Outros compostos orgânicos sintéticos são encontrados em menor quantidade como
detergentes, pesticidas, fenóis, etc.

Efluentes Industriais: muitos efluentes industriais são também predominantemente orgânicos,


como são os casos dos efluentes de indústrias de celulose e papel, têxteis, químicas e
petroquímicas, alimentícias e de bebidas, matadouros e frigoríficos, curtumes, usinas de
açúcar e álcool, etc.

Em alguns casos a poluição difusa é um componente orgânico importante.


1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Químicas

Matéria orgânica em águas – Medidas de matéria orgânica

Demanda Bioquímica de Oxigênio - DBO

A DBO corresponde à fração biodegradável dos compostos presentes na amostra, que


é mantida cinco dias a uma temperatura constante de 20°C. A medida da
concentração de matéria orgânica biodegradável neste ensaio resulta indiretamente,
através de dados de consumo de oxigênio ocorrido na amostra ou em suas diluições,
durante o período de incubação. Apesar de muito importante, a análise de DBO é
demorada, necessitando-se de um prazo de cinco dias para a obtenção dos
resultados. Pode-se também encontrar problemas de imprecisão, especialmente nos
casos de efluentes industriais que não contêm microrganismos, em que são
necessários a semeadura da amostra e o controle paralelo da demanda bioquímica
de oxigênio da semente. Outra limitação da DBO é a de acusar apenas a fração
biodegradável dos compostos orgânicos, uma vez que o processo é de natureza
bioquímica
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Químicas


Matéria orgânica em águas – Medidas de matéria orgânica
Demanda Bioquímica de Oxigênio - DBO

A DBO está diretamente relacionada com a quantidade de ar que será adicionada no sistema
1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Químicas
Matéria orgânica em águas – Medidas de matéria orgânica
Demanda Bioquímica de Oxigênio – DBO
A determinação da DBO pode ser feita de maneira analítica ou teórica.

Para efluentes sanitários:


1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Químicas
Demanda Bioquímica de Oxigênio – DBO

Para efluentes Industriais:


1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Químicas


Demanda Bioquímica de Oxigênio – DBO
Características importantes associadas ao parâmetro:

Parâmetro fundamental para o controle da poluição das águas por matéria orgânica. Nas
águas naturais a DBO representa a demanda potencial de oxigênio dissolvido que poderá
ocorrer devido à estabilização dos compostos orgânicos biodegradáveis, o que poderá trazer os
níveis de oxigênio nas águas abaixo dos exigidos pelos peixes, levando-os à morte.

Padrão de classificação das águas naturais. Nas classes que correspondem às águas menos
poluídas, exigem-se baixos valores máximos de DBO e elevados limites mínimos de oxigênio
dissolvido.

A DBO é também uma ferramenta imprescindível nos estudos de autodepuração dos cursos
d’água.

No campo do tratamento de esgotos, a DBO é um parâmetro importante no controle da


eficiência das estações, tanto de tratamentos biológicos aeróbios e anaeróbios, bem como
físico-químicos.
1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Químicas
Demanda Bioquímica de Oxigênio – DBO
Características importantes associadas ao parâmetro:

Na legislação do Estado de São Paulo (Decreto Estadual nº 8468/1976): DBO5 de cinco dias é
padrão de emissão de esgotos diretamente nos corpos d’água, sendo exigidos ou uma DBO5
máxima de 60 mg/L ou uma eficiência global mínima de 80%. Este último critério favorece aos
efluentes industriais concentrados, que podem ser lançados com valores de DBO ainda altos,
mesmo removida acima de 80%.

A carga de DBO, expressa em Kg/dia é um parâmetro fundamental no projeto das estações de


tratamento biológico. Dela resultam as principais características do sistema de tratamento como
áreas e volumes de tanques, potências de aeradores, etc.

Efluentes de indústrias que são orgânicos biodegradáveis mas não possuem microrganismos
decompositores como, por exemplo, os de indústrias têxteis e de celulose e papel. Nesse caso,
não havendo microrganismos na amostra, é necessário introduzi-los artificialmente através de
semeadura. Há, basicamente, dois tipos de sementes que podem ser utilizadas: aclimatadas ou
não aclimatadas.
1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Químicas
Demanda Química de Oxigênio – DQO
A demanda química de oxigênio consiste em uma técnica utilizada para a avaliação do
potencial de matéria redutora de uma amostra, através de um processo de oxidação química
em que se emprega o dicromato de potássio (K2Cr2O7). Neste processo, o carbono orgânico de
um carboidrato, por exemplo, é convertido em gás carbônico e água.

Importante: Quando a relação DQO/DBO for maior que 3 é um grande indicativo da presença
de efluentes industriais. A relação ótima DQO/DBO = 2
1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Químicas
Demanda Química de Oxigênio – DQO
Características importantes associadas ao parâmetro:

A DQO é um parâmetro indispensável nos estudos de caracterização de esgotos


sanitários e de efluentes industriais. A DQO é muito útil quando utilizada
conjuntamente com a DBO para observar a biodegradabilidade de despejos. Sabe-se
que o poder de oxidação do dicromato de potássio é maior do que o que resulta
mediante a ação de microrganismos. Desta forma os resultados da DQO de uma
amostra são superiores aos de DBO. Como na DBO mede-se apenas a fração
biodegradável, quanto mais este valor se aproximar da DQO significa que mais
facilmente biodegradável será o efluente. É comum aplicar-se tratamentos biológicos
para efluentes com relações DQO/DBO de 3/1, por exemplo; mas valores muito
elevados deste relação indicam grandes possibilidades de insucesso, uma vez que a
fração biodegradável torna-se pequena, tendo-se ainda o tratamento biológico
prejudicado pelo efeito tóxico sobre os microrganismos exercido pela fração não
biodegradável.
1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Químicas
Demanda Química de Oxigênio – DQO
Características importantes associadas ao parâmetro:

A DQO tem se demonstrado um parâmetro bastante eficiente no controle de sistemas de


tratamento anaeróbio de esgotos sanitários e de efluentes industriais. Observa-se o uso
prioritário da DQO para o controle das cargas aplicadas e das eficiências obtidas. A DBO nestes
casos tem sido utilizada apenas como parâmetro secundário, mais para se verificar o
atendimento à legislação, uma vez que tanto a legislação federal quanto a do Estado de São
Paulo não incluem a DQO

 As relações DQO/DBO são diferentes para os diversos efluentes e que, para um mesmo
efluente, a relação se altera mediante tratamento, especialmente o biológico. Desta forma, um
efluente bruto que apresente relação DQO/DBO igual a 3/1, poderá, por exemplo, apresentar
relação da ordem de 10/1 após tratamento biológico, que atua em maior extensão sobre a
DBO.

Curiosidade: Outro uso importante que se faz da DQO é para a previsão das diluições das
amostras na análise de DBO. Como o valor da DQO é superior, e pode ser obtido no mesmo dia
da coleta, poderá ser utilizado para balizar as diluições
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Químicas


Óleos e graxas.
Os óleos e graxas são substâncias orgânicas de origem mineral, vegetal ou animal. Estas
substâncias ditas solúveis em n-hexano compreendem ácidos graxos, gorduras animais, sabões,
graxas, óleos vegetais, ceras, óleos minerais, etc. São raramente encontrados em águas naturais.

Origem:

Efluentes industriais: muitos apresentam-se oleosos, como os das indústrias de prospecção de


petróleo, petroquímicas, de óleos comestíveis, laticínios, matadouros e frigoríficos, etc. Outras
indústrias não produzem efluentes tipicamente oleosos mas podem possuir algumas linhas de
efluentes com esta natureza, como os provenientes de oficinas mecânicas.

Esgotos sanitários: apresentam concentrações de óleos e graxas geralmente na faixa de 50 a


100 mg/L.

Outras fontes: há ainda os óleos descarregados nas águas naturais em situações específicas, os
derramamentos provenientes de acidentes marítimos e fluviais. A poluição difusa (estradas e
vias públicas) podem contribuir para o aparecimento de óleos e graxas em águas.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Químicas


Óleos e graxas.

Teste de O&G
Óleo Mineral Óleo Animal/Vegetal
1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Químicas
Óleos e graxas.
Características importantes associadas ao parâmetro:

Os óleos e graxas provocam obstrução em redes coletoras de esgotos e inibição em processos
biológicos de tratamento pois, impede a transferência de oxigênio e nutrientes para os
microrganismos do esgoto.

 Parâmetro de lançamento na rede coletora; o limite para os níveis de óleos e graxas nos
lançamentos de efluentes é de 150 mg/L (Decreto Estadual nº 8468/1976).

 Quando o teor de óleos e graxas é reduzido, não traz inibição aos tratamentos biológicos; ao
contrário, degradam-se em parte, reduzindo ainda mais sua concentração.

 Parâmetro de lançamento para lançamento de efluentes em águas naturais:

a) Legislação do Estado de São Paulo (Decreto Estadual nº 8468/1976): limite de 100 mg/L.
b) Legislação federal (CONAMA 430/2011): despejo industrial máximo 50 mg/L (vegetal) e
máximo 20 mg/L (mineral). Despejo Sanitário máximo 100 mg/L.
1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Químicas
Óleos e graxas.

Formas que o óleo pode se apresentar:


Óleo livre: representa as dispersões grosseiras, constituídas por gotas com diâmetros superiores a
150 μm, que são facilmente removidas por meio de processos de separação gravitacional.

Óleo disperso: normalmente apresentando diâmetro de gotas entre 50 e 100 μm, também pode
ser removido através de processos gravitacionais; no entanto, a eficiência de separação
dependerá essencialmente da distribuição de diâmetros de gotas e da presença de agentes
desestabilizantes.

Óleo emulsionado: o diâmetro das gotas normalmente se situa abaixo de 50 μm e caracteriza-se


por apresentar-se em uma mistura relativamente estável com a fase aquosa; isto ocasiona uma
dificuldade de sua remoção através de métodos gravitacionais e requer o emprego de processos
mais sofisticados, tais como centrifugação ou flotação, associados ao emprego de produtos
químicos.

Óleo dissolvido: a remoção do é extremamente difícil, requerendo o uso de processos químicos


e/ou biológicos.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Químicas


Nitrogênio e Fósforo (N, P)

Origem:

Nitrogênio: São diversas as fontes de nitrogênio nas águas naturais. Os


esgotos sanitários constituem em geral a principal fonte, lançando nas
águas nitrogênio orgânico devido à presença de proteínas e nitrogênio
amoniacal, devido à hidrólise sofrida pela ureia na água. Alguns
efluentes industriais também concorrem para as descargas de
nitrogênio orgânico e amoniacal nas águas, como algumas indústrias
químicas, petroquímicas, siderúrgicas, farmacêuticas, de conservas
alimentícias, matadouros, frigoríficos e curtumes.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Químicas


Nitrogênio e Fósforo (N, P)
Fósforo: O fósforo aparece em águas naturais devido principalmente às
descargas de esgotos sanitários. Nestes, os detergentes superfosfatados
empregados em larga escala domesticamente constituem a principal fonte
(15,5% de P2O5), além da própria matéria fecal, que é rica em proteínas.

Alguns efluentes industriais, como os de indústrias de fertilizantes, pesticidas,


químicas em geral, conservas alimentícias, abatedouros, frigoríficos e
laticínios, apresentam fósforo em quantidades excessivas. As águas drenadas
em áreas agrícolas e urbanas também podem provocar a presença excessiva
de fósforo em águas naturais, por conta da aplicação de fertilizante no solo.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Químicas


Nitrogênio e Fósforo (N, P)
Características importantes associadas ao parâmetro:

 Os compostos de nitrogênio são nutrientes para processos biológicos. São tidos como
macronutrientes pois, depois do carbono, o nitrogênio é o elemento exigido em maior
quantidade pelas células vivas;

 Nos reatores biológicos das estações de tratamento de esgotos, o carbono, o nitrogênio e o


fósforo têm que estar em proporções adequadas para possibilitar o crescimento celular
sem limitações nutricionais. Com base na composição das células dos microrganismos que
formam parte dos tratamentos, costuma-se exigir uma relação DBO:N:P mínima de 100:5:1
em processos aeróbios e uma relação DQO:N:P de pelo menos 350:7:1 para tratamentos
anaeróbios. No tratamento de esgotos sanitários, estes nutrientes encontram-se em
excesso, não havendo necessidade de adicioná-los artificialmente, ao contrário, o problema
está em removê-los. Em alguns efluentes industriais, como é o caso dos efluentes de
fábricas de celulose, que são compostos basicamente de carboidratos, não possuindo
praticamente nitrogênio e fósforo, estes devem ser adicionados (Exemplo: ureia granulada
rica em nitrogênio, fosfato de amônia, que possui nitrogênio e fósforo e monoamônio-
fosfato (MAP)).
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Químicas


Nitrogênio e Fósforo (N, P)
Características importantes associadas ao parâmetro:

Pela legislação federal em vigor (CONAMA 357/2005 e CONAMA 430/2011) o nitrogênio


amoniacal é fósforo são padrão de classificação das águas naturais e em alguns estados são
padrão de emissão de esgotos (exemplo: RS e RJ).

Os nitratos são tóxicos, causando uma doença denominada metahemoglobinemia infantil,
que é letal para crianças (o nitrato é reduzido a nitrito na corrente sanguínea, competindo com
o oxigênio livre, tornando o sangue azul). Por isso, o nitrato é padrão de potabilidade, sendo 10
mg/L o valor máximo permitido pela Portaria do MS n° 2914 de Dezembro de 2011.

A amônia é um tóxico bastante restritivo à vida dos peixes, sendo que muitas espécies não
suportam concentrações acima de 5 mg/L.

Quando descarregados nas águas naturais conjuntamente com o fósforo e outros nutrientes
presentes nos despejos, provocam o enriquecimento do meio tornando-o mais fértil e
possibilitam o crescimento em maior extensão dos seres vivos que os utilizam, especialmente as
algas, o que é chamado de eutrofização.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Químicas


Sulfato e Sulfeto
Origem:

O Sulfato é um íons mais abundantes na natureza. Surge nas águas subterrâneas através da dissolução de
solos e rochas, como o gesso (CaSO4) e o sulfato de magnésio (MgSO4) e pela oxidação de sulfatos (exemplo:
pirita, sulfeto de ferro). Nas águas superficiais, ocorre através das descargas de esgotos domésticos (por
exemplo, através da degradação de proteínas) e efluentes industriais (exemplos: efluentes de indústrias de
celulose e papel, química, farmacêutica,etc.).

A principal fonte de sulfeto em águas naturais é o lançamento de esgotos sanitários e de efluentes


industriais que contenham sulfato, em condições anaeróbias. Devido à ação biológica, ocorre a redução do
sulfato.

O sulfato pode ser reduzido a sulfeto dentro da própria tubulação de esgoto, sendo então carreado para o
efluente.

Alguns efluentes industriais possuem sulfeto diretamente, isto é, sem ser oriundo da redução de sulfato.
São os casos dos efluentes de curtumes, indústrias de celulose e refinarias de petróleo.

As concentrações de sulfato em águas naturais variam em geral na faixa de 2 a 80 mg/L, embora possam
exceder a 1000 mg/L em áreas próximas a descargas industriais ou em regiões áridas onde sulfatos
minerais, tal como o gesso, estão presentes.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Químicas


Sulfato e Sulfeto
Características importantes associadas ao parâmetro:

Nas águas para abastecimento público, o sulfato deve ser controlado porque provoca
efeitos laxativos, sendo o padrão de potabilidade fixado em 400 mg/L pela Portaria
2914/2011 do Ministério da Saúde.

Nas águas para o abastecimento industrial, o sulfato provoca incrustações em


caldeiras e trocadores de calor.

É bastante conhecido o problema da ocorrência da corrosão em coletores de esgoto


de concreto, motivada pela presença de sulfato. Em trechos de baixa declividade
onde ocorre depósito de matéria orgânica em situação de anaerobiose, as bactérias
redutoras de sulfato transformam-no em sulfeto, ocorrendo a exalação de gás
sulfídrico (H2S). No trecho aeróbio do tubo e em contato com a umidade da parede
interna, ocorre a reação de formação de ácido sulfúrico que ataca o concreto.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Químicas


Sulfato e Sulfeto
Além do problema da corrosão, o gás sulfídrico traz o problema do odor em rede coletora de
esgotos, além de exercer efeito tóxico, tendo sido responsável por alguns acidentes com os
operadores não devidamente equipados.

Outro problema relativamente recente refere-se aos prejuízos que a presença de sulfato pode
trazer para o tratamento anaeróbio de efluentes industriais que os contêm. Uma preocupação
está exatamente na presença de sulfato que, reduzido a sulfeto, intoxica as metanobactérias,
além de as sulfo-bactérias competirem com elas pelo uso do substrato que é constituído de
ácidos voláteis. Não se têm limites seguros de concentração de sulfeto nos diversos efluentes
que possam determinar a possibilidade ou não de emprego do tratamento anaeróbio. Embora
os limites de tolerância não tenham ainda sido bem definidos, tem-se observado que
concentrações da ordem de 100 a 150 mg/L são inibitórias.

Na literatura pertinente ao tratamento biológico de esgotos pelo processo de lodos ativados,


comenta-se que a presença de sulfeto nos despejos produz entumescimento filamentoso do
lodo, devido, principalmente, à presença da bactéria Thiothrix, que é químio-autotrófica,
obtendo energia através da oxidação dos sulfetos.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Químicas


Cloreto
Origem:

O cloreto é o ânion Cl- que se apresenta nas águas subterrâneas através de solos e
rochas. Nas águas superficiais são fontes importantes as descargas de esgotos
sanitários, sendo que cada pessoa expele através da urina cerca de 6 g de cloreto por
dia, o que faz com que os esgotos apresentem concentrações de cloreto que
ultrapassam a 15 mg/L.

Diversos são os efluentes industriais que apresentam concentrações de cloretos


elevadas, como os da indústria do petróleo, algumas indústrias farmacêuticas,
curtumes, etc. Nas regiões costeiras, através da chamada intrusão da língua salina, são
encontradas águas com níveis altos de cloreto. Nas águas tratadas, a adição de cloro
puro ou em solução leva a uma elevação do nível de cloreto, resultante das reações
de dissociação do cloro na água.
1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Químicas
Cloreto
Características importantes associadas ao parâmetro:

Para as águas de abastecimento público, a concentração de cloreto constitui-se em padrão de


potabilidade, segundo a Portaria 2.914/2011 do Ministério da Saúde. O cloreto provoca sabor
“salgado” na água, sendo o cloreto de sódio o mais restritivo por provocar sabor em
concentrações da ordem de 250 mg/L, valor este que é tomado como padrão de potabilidade.

Da mesma forma que o sulfato, sabe-se que o cloreto também interfere no tratamento
anaeróbio de efluentes industriais. Os estudos tem apontado que o motivo é que o cloreto
pode provocar alterações na pressão osmótica em células de microrganismos.

O cloreto provoca corrosão em estruturas hidráulicas, como por exemplo em emissários


submarinos para a disposição oceânica de esgotos sanitários, que por isso têm sido construídos
com polietileno de alta densidade (PEAD).

Interferem na determinação da DQO e, embora esta interferência seja atenuada pela adição
de sulfato de mercúrio, as análises de DQO da água do mar não apresentam resultados
confiáveis.
1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Químicas
Cianeto
Origem:

O cianeto é o ânion (CN)- que aparece nas águas naturais devido a descargas de
efluentes industriais, principalmente os provenientes de seções de galvanoplastias
(eletrólito utilizado no processo de recobrimento de peças metálicas por
eletrodeposição).

Também as fecularias de mandioca apresentam efluentes contaminados com


cianeto.
1º Workshop Efluentes Industriais

Qualidade da água - Características Químicas


Cianeto
Características importantes associadas ao parâmetro:

O cianeto é um ânion tóxico, prejudicando o abastecimento público de água, bem como os


ecossistemas naturais.

Podem ocorrer problemas de inibição em reatores para o tratamento biológico de esgotos.

A dosagem máxima diária suportada pelo homem é de 0,05 mg/kg e o padrão de potabilidade
fixado pela Portaria 2914 do Ministério da Saúde é de 0,07 mg/L.

É parâmetro de qualificação de corpo hídrico (CONAMA 357/2015);

No Estado de São Paulo, o Decreto n° 8468 estabelece o limite máximo de 2,0 mg/L para a
concentração de cianeto em efluentes industriais ligados à rede pública provida de sistema de
tratamento. Para a descarga de efluentes diretamente no corpo receptor, tanto a legislação
federal (CONAMA 430/2011) quanto a estadual impõem 0,2 mg/L como padrão de emissão.
1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Químicas
Fenóis
Origem:

Os fenóis e seus derivados aparecem nas águas naturais através das descargas de
efluentes industriais. Indústrias de processamento da borracha, de colas e adesivos,
de resinas impregnantes, de componentes elétricos (plásticos) e as siderúrgicas,
entre outras, são responsáveis pela presença de fenóis nas águas naturais.

Características importantes associadas ao parâmetro:

Os fenóis são tóxicos ao homem, aos organismos aquáticos e aos microrganismos
que tomam parte nos sistemas de tratamento de esgotos sanitários e de efluentes
industriais. Em sistemas de lodos ativados, concentrações de fenóis na faixa de 50 a
200 mg/L trazem inibição, sendo que 40 mg/L são suficientes para a inibição da
nitrificação.

Na digestão anaeróbia, 100 a 200 mg/L de fenóis também provocam inibição.
1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Químicas
Fenóis
Características importantes associadas ao parâmetro:

Estudos recentes têm demonstrado que, sob processo de aclimatação, concentrações


de fenol superiores a 1000 mg/L podem ser admitidas em sistemas de lodos ativados
(aclimatação do lodo com efluente doméstico).

De acordo com o Artigo 19-A do Decreto Estadual 8468/76 o índice de fenóis para
lançamento em rede deve ser abaixo de 5,0 mg/L. O índice de fenóis constitui
também padrão de emissão de esgotos diretamente no corpo receptor, sendo
estipulado o limite de 0,5 mg/L tanto pela legislação do Estado de São Paulo (Artigo
18 do Decreto Estadual no 8468) como pela legislação federal (CONAMA 430/2011).

Nas águas naturais, os padrões para os compostos fenólicos são bastante restritivos,
tanto na Legislação Federal quanto na do Estado de São Paulo.
1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Químicas
Outros parâmetros relevantes:
• Surfactantes
Origem: Os esgotos sanitários possuem de 3 a 6 mg/L de detergentes. As indústrias de
detergentes descarregam efluentes líquidos com cerca de 2000 mg/L do princípio ativo. Outras
indústrias, incluindo as que processam peças metálicas, empregam detergentes especiais com
a função de desengraxante, como é o caso do percloretileno.

•Acidez
Origem: Os ácidos minerais surgem em águas naturais principalmente através de descargas de
efluentes industriais não neutralizados. São muito os ramos industriais que utilizam-se de
ácidos em seus processos industriais, destacando-se as metalurgias e a siderurgia, onde são
frequentes os processos de decapagem ácida.

• Alcalinidade
Origem: Os principais componentes da alcalinidade são os sais do ácido carbônico, ou seja,
bicarbonatos e carbonatos, e os hidróxidos. A principal fonte de alcalinidade de hidróxidos em
águas naturais decorre da descarga de efluentes de indústrias, onde se empregam bases fortes
como soda cáustica e cal hidratada.
1º Workshop Efluentes Industriais
Qualidade da água - Características Químicas
Outros parâmetros relevantes:
• Pesticidas
Origem: Uso indiscriminado e inadequado de inseticidas, fungicidas e herbicidas.

• Ferro
Origem: Efluentes industriais, principalmente de metalúrgicas que desenvolvem
atividades de remoção da camada oxidada (ferrugem) das peças antes de seu uso,
processo conhecido por decapagem.

• Metais Pesados (Chumbo, Bário, Cádmio, Arsênio, Selênio, Cromo Hexavalente,


Mercúrio, Níquel, Zinco, Alumínio, Estanho, Prata e Cobre.
Origem: Efluentes industriais de indústrias extrativistas de metais, indústrias de tintas
e pigmentos e, especialmente, as galvanoplastias, além destas, os metais pesados
podem ainda estar presentes em efluentes de indústrias químicas, como as de
formulação de compostos orgânicos e de elementos e compostos inorgânicos,
indústrias de couros, peles e produtos similares, indústrias do ferro e do aço,
lavanderias e indústria de petróleo.