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IV ENCONTRO DOS MESTRADOS

PROFISSIONAIS EM HISTÓRIA
O Abraço da Serpente: o cinema como
proposta para o ensino de História e
Cultura Indígena
Renata Carvalho Silva (PPGHEN)
TEMA
• O uso das ferramentas metodológicas
audiovisuais, em especial as produções
cinematográficas ficcionais, como fonte e
ferramenta para a implementação do ensino da
história e cultura indígena circunscrita à
determinação da Lei 11.645/2008 em uma
perspectiva decolonial.
HIPÓTESES
• Partimos da hipótese de que o filme colombiano “O
Abraço da Serpente” traz como proposta uma outra
perspectiva de olhar sobre as identidades indígenas
amazônicas contemplando reflexões atuais sobre
alteridade e respeito às diversidades que podem
trazer valiosas contribuições à aplicabilidade da lei
11.645/08 acerca da introdução da História e Cultura
Indígena no Ensino Básico Brasileiro em especial na
área de História.
• A proposta aqui apresentada é parte preliminar da
pesquisa de mestrado intitulada “El Abrazo de la
Serpiente”: o cinema e o ensino de História e Cultura
Indígena em sala de aula e visa perceber, a partir da
análise do filme “O Abraço da Serpente” (2016) do
diretor colombiano Ciro Guerra, de que forma o mesmo
pode auxiliar nas discussões sobre a mudança nas
representações acerca das identidades étnicas na
América Latina;
• Visa igualmente refletir sobre o uso dessa obra
cinematográfica para auxiliar na implementação do
ensino da história e cultura indígena circunscrita à
determinação da Lei 11.645/2008 em sala de aula.
• Buscamos analisar a forma como as produções fílmicas
vem, ao longo dos anos, construindo diferentes leituras
acerca do indivíduo nativo, nas diferentes épocas e sobre
diferentes prismas e contextos sócio históricos;

• Desenvolver discussões mais aprofundadas acerca da


reconstrução necessária a respeito dos povos indígenas
como agentes sociais do processo histórico,
possibilitando o respeito e o reconhecimento das
comunidades indígenas atuais;

• Possibilitar uma visão mais ampla e diversificada sobre


questões relativas a construção identitária,
territorialidades e sociabilidades em contextos sócio
culturais diferenciados a partir da utilização da linguagem
cinematográfica e seus usos no ensino da História.
• Partindo da noção de perspectivismo ameríndio
desenvolvido pelo antropólogo Eduardo Viveiros de
Castro, buscamos compreender como cosmovisões
características de diferentes grupos étnicos do continente
partem de relações ontológicas específicas distanciadas
do antagonismo homem/cultura x natureza e como tais
percepções podem de fato contribuir para a importância
do respeito à alteridade;
• Dessa forma procuraremos estabelecer um diálogo com
autores do grupo intitulado modernidade/colonialidade
que tem como elementos centrais em seus trabalhos
teóricos um repensar dos papéis e epistemologias
relativas à América Latina no contexto pós colonial, tais
como Catherine Walsh, Aníbal Quijano, Walter Mignolo,
dentre outros.
• Nosso trabalho não tem o objetivo de criar um mero
manual de como o professor deve ou não utilizar um
determinado filme histórico em sala de aula, uma vez
que, como nos alerta Marc Ferro (1988), “os filmes de
tipo histórico não são mais que uma representação do
passado” que em grande medida falam mais sobre o
presente que sobre esse mesmo passado;

• Nesse sentido temos como finalidade elaborar um


material que possa refletir sobre as múltiplas escolhas e
significações implícitas a determinada produção
cinematográfica quando da sua elaboração para que
assim se possa compreender os usos e sentidos do
emprego do passado em tal obra.
APRESENTAÇÃO DO OBJETO
• Em “O Abraço da Serpente” o diretor
Colombiano Ciro Guerra constrói uma
narrativa baseada nos diários de
viagem reais de dois cientistas
europeus que desbravaram a
Amazônia em diferentes épocas da
primeira metade do século XX;
• Theodor Von Martius (ator belga Jan
Bijvoet), inspirado no etnógrafo alemão
Theodor Koch-Grunberg (1872-1924)
busca a ajuda do índio desterrado da
etnia Coihuano, Karamakate (Nilbio
Torres) para encontrar uma flor
medicinal muito rara e única a poder
salvá-lo de uma enfermidade que o
assola;
• Utilizando o recurso de duas frentes de narração, onde dois pontos temporais
são separados e unidos na mesma história, se entrecruzando no
desenvolvimento da narrativa, encontramos, 40 anos depois, o segundo
explorador, Evan (Brionne Davis) baseado nos diários do etnobotânico
americano Richard Evans Schultes (1915-2001) onde o mesmo também
segue em busca da mesma planta medicinal só que agora por motivos
diferentes, a planta pode lhe salvar do mal de nunca ter conseguido “sonhar”.

• Através de inúmeras intencionalidades estéticas, o


filme nos põe em contato com dois universos em
confronto e a refletir sobre diversos elementos do
histórico do contato:
- Oposição civilização e barbárie;
- Descrença e desconfiança;
- O território como constituinte da memória e
formadora da identidade
- A utilização compulsória da mão de obra
nativa na exploração da borracha amazônica;
• Primeiramente é possível reconhecermos vários
elementos de uma busca por uma renovação do cinema
latino americano contemporâneo pós 1980 na obra de
Ciro Guerra que busca conjugar as referencias do
movimento cinema novo das décadas de 1960-70, como
a filmagem em espaços reais, com intérpretes não
profissionais e tomando os personagens minoritários
como personagens principais da narrativa, ao mesmo
tempo em que busca conjugar tais referências a uma
maior qualidade técnica e não deixando de lado o
interesse pelo reconhecimento internacional ao mesmo
tempo estético e mercadológico (SILVA, 2006).
• O conceito de decolonialismo aqui utilizado visa investigar de
que forma o cinema latino americano contemporâneo vem
coadunando-se com as propostas de compreender as
constituições identitárias no contexto dos contatos
pluriétnicos e de mestiçagem/hibridização a partir de
pressupostos conceituais específicos, dando ênfase a novas
perspectivas de classificação e compreensão da experiência
humana;
• Ou como nos aponta Grosfoguel:
• “Como resultado, el mundo de comienzos del siglo XXI necesita
una decolonialidad que complemente la descolonización llevada
a cabo en los siglos XIX y XX. Al contrario de esa
descolonialización, la decolonialidad es un proceso de
resignificación a largo plazo, que no se puede reducir a un
acontecimiento jurídico-político (Grosfoguel, 2005).
• Outra noção chave para o entendimento do trabalho aqui
proposto são os conceitos de perspectivismo e
multinaturalismo ameríndio desenvolvidos pelo
antropólogo Eduardo Viveiros de Castro onde é possível
percebermos um grande alinhamento com os
pressupostos do decolonialismo uma vez que o mesmo
propõe uma leitura que rompe com as oposições
natureza X humanidade/cultura; racionalidade X
subjetividade, clássicos dos pressupostos
epistemológicos eurocentrados propondo em seu lugar as
noções das múltiplas humanidades a partir de uma
imersão profunda na experiência de conceituação e
construção do conhecimento fruto das experiências
vividas de sociedades indígenas amazônicas (Castro,
2002)
• A escolha do filme colombiano “O Abraço da Serpente”
para o desenvolvimento da pesquisa parte
principalmente das escolhas não só teóricas como
estéticas dos seus realizadores que colocam o indivíduo
nativo como elemento principal e direcionador da
narrativa;
• Assim, apesar de ser descrito por Guerra não como um
retrato fiel do passado, mas um “ambiente do passado
reconstituído a partir de uma experiência sensorial” (Op.
Cit.) a película nos coloca em contato com uma rica
reflexão sobre a questão do histórico de contato e suas
múltiplas implicações num processo estético de imersão
na experiência multinaturalista da perspectiva das
identidades indígenas da amazônia;
• Questiona-se assim o papel dos
cientistas e viajantes que
desbravaram a Amazônia e a forma
como construíram leituras e
classificações sobre as populações
nativas, a forma como a influência
das missões católicas
desencadearam novas experiências
religiosas no contexto do hibridismo
pós colonial bem como a forma
contundente com que a exploração
comercial da Amazônia em
contextos como as da exploração da
borracha afetaram incisivamente as
mesmas;
• Várias são as escolhas técnicas e estéticas do autor que nos
levam a perceber tais propostas narrativas como a proposta do
uso do preto e branco do filme como forma de fugir da “mimese
do real” não atingível pela lente da câmera e como forma não
só de fazer o espectador imergir no recorrente uso dos planos
intencional e excessivamente amplos como na extensão e
imbricação entre homem e natureza amazônicos;
• Outra interessante escolha para obra que nos apresenta o autor é o de
rodá-lo em filme 35 mm. Assim o mesmo a explica:
“La película está inspirada en las imágenes que tomaron los
exploradores en los que se basa la historia, imágenes que eran casi
daguerrotipos. Son los únicos documentos que sobrevivieron que
muestran a muchas comunidades amazónicas. Queríamos que el filme
se acercara a esa textura de las fotos, que transportara directamente a
esos años. Hicimos pruebas con varios formatos digitales, pero nos
dimos cuenta de que no servían para capturar la luz natural ni los
detalles que ofrece la selva, no tenían la cualidad orgánica que
buscábamos.» (Guerra, entrevista concedida ao site do jornal El Ibérico
em 06 de junho de 2016)
• Muitas outras questões ainda existem a serem lidas,
interpretadas e trabalhadas e que não caberiam no espaço
restrito dessa apresentação preliminar da pesquisa, mas de
antemão pontuamos que a escolha do filme como objeto de
análise e uso para o ensino da História e Cultura Indígena em
sala de aula, em atendimento à lei 11645/08 passa,
indiscutivelmente, pela reflexão sobre de que História e de
qual representação de populações indígenas se pretende ou
se está (ou não está, nos parece mais o caso) fazendo quer
seja nas Licenciaturas, quer seja nas escolas de educação
básica no Brasil atual;
• Portanto, uma reflexão crítica sobre os pressupostos sobre os
quais a História vem assentando as suas leituras sobre o
passado e o presente das múltiplas e diferenciadas etnias
que habitam o espaço geográfico latino americano se faz
cada vez mais necessária.
• REFERÊNCIAS:
• BALLESTRIN, Luciana. Para transcender a Colonialidade. Entrevista concedida ao site da
Revista do Instituto Humanitas Unisinos. Em 04/11/2013. Disponível em:
http://www.ihuonline.unisinos.br/artigo/5258-luciana-ballestrin
• CASTRO, Eduardo Viveiros de. Perspectivismo e multinaturalismo na América indígena. In:
O Que nos Faz Pensar? – Cadernos do Departamento de Filosofia da PUC-Rio, vol. 14, nº
18, setembro de 2004, p.225-254.
• FERRO, Marc. O filme, uma contra-análise da sociedade? In: LE GOFF, Jacques e NORA,
Pierre. História: novos objetos. Rio de Janeiro: Francisco A1vcs, 1988.
• GROSFOGUEL, Ramón. The Implications of Subaltern Epistemologies for Global
Capitalism: Transmodernity, Border Thinking and Global Coloniality. En Richard P.
Appelbaum and William I. Robinson (eds.). Critical Globalization Studies. New York
/London: Routledge. 2005.
• SILVA, Edson. Os Povos Indígenas e o ensino: reconhecendo as sociodiversidades nos
currículos com a Lei 11.645. In: ROSA, A. BARROS, N. (orgs.). Ensino e Pesquisa na
Educação Básica: abordagens teóricas e metodológicas. Recife: EDUFPE, 2012.
• SILVA, Fabiana Maranhão Lourenço da. Tendências do Cinema Latino Americano
Contemporâneo. In: Iniciacom. Vol. 1, N. 2, São Paulo, 2006. Disponível em:
http://www.portcom.intercom.org.br/revistas/index.php/iniciacom/article/view/377
• WALSH, Catherine. Interculturalidad, Estado, Sociedad: Luchas (de)coloniales de
nuestra época. Universidad Andina Simón Bolivar, Ediciones Abya-Yala,: Quito, 2009.
Disponível em:
http://www.flacsoandes.edu.ec/interculturalidad/wpcontent/uploads/2012/01/Interculturalida
d-estado-ysociedad.pdf

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