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Direito Previdenciário

Aula
ROTEIRO 01
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
CONSIDERAÇÕES INICIAIS:

O homem sempre se preocupou com o dia de


amanhã. Preocupado com a possibilidade de, no
futuro, ficar incapacitado para o trabalho, seja
por doença ou velhice, em consequência, ficaria
sem como trabalhar e se sustentar.
HISTÓRIA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL NO MUNDO

A origem da Seguridade Social no mundo está


atrelada à própria essência da origem
humana.
A preocupação inerente ao Homem
com o seu bem-estar
A necessidade do homem de proteger-se remonta à pré-história:
 Reunir-se em grupos para compartilhar a caça, a pesca e de se
defender dos infortúnios estabelecendo formas de proteção
primárias.
A menção à época pré-histórica em termos de proteção, se dava nos
seguintes termos:

 Não havia mecanismos de proteção social


 A proteção em si vinculava-se apenas e tão somente na simples
tolerância da convivência em grupo
 Porém, a partir da consciência da necessidade de estocagem de
alimentos para serem consumidos no futuro, faz notar que a
preocupação do homem com seu destino.
Formas de proteção primárias
Pode-se afirmar que as organizações precárias
da origem dos tempos baseavam-se
simplesmente no instinto da sobrevivência.
Existia de forma precária a conjugação de
esforços para a melhoria ou facilitação das
condições de vida de cada um dos indivíduos
formadores do grupo.
Idade Média
Há relatos que já na Idade Média as corporações de trabalhos
da época mantinham um sistema de cooperação, ou seja,
todos aqueles que trabalhavam no mesmo ofício e que em
razão de:
 enfermidade
 idade avançada
 encontravam-se impossibilitados de prover seu próprio
sustento

eram ajudados financeiramente pelos outros companheiros


de trabalho.
Comparativo entre o modelo mutualista e as
corporações da Idade Média

• As correntes doutrinárias remontam que a


origem da Previdência Social se iniciou com as
caixas de socorro de natureza mutualista,
como aquelas corporações profissionais da
Idade Média mantinham para seus membros.
Marco Previdenciário: evolução
normativa
A primeira noticia da preocupação do homem com o seu futuro e de
sua família é do ano de 1344, quando teria sido celebrado o
primeiro contrato de seguro marítimo.

Já em 1601 , nota uma evolução da Previdência Social com a Lei de


Amparo aos Pobres, editada na Inglaterra  desvinculando a
caridade aos pobres da ajuda assistencial aos necessitados,
assumindo assim, o Estado um papel ímpar de guardião e protetor
dos reconhecidamente necessitados, nascendo com isto à ideia de
assistência pública ou social.

Com a Revolução Industrial em meados do século XVIII, a necessidade


da proteção social cresceu levando a Inglaterra a alterar a Lei dos
Pobres para que ela pudesse acompanhar a evolução da época.
Inglaterra e França são países que, por sua vanguarda econômica e social, são
considerados “pais” da previdência social.

Porém foi na Alemanha onde nasceu o conceito do sistema de seguro social totalmente
organizado e mantido pelo ente estatal.
Este sistema foi concebido através do conceito da tripla:

 O Estado
 As Empresas
 Os Trabalhadores

contribuíam de forma equivalente ao seu poder de disponibilização de meios


(assalariados tem um poder menor de sustentação do sistema) para a manutenção
do Seguro Social.

Mais tarde surgiu:


 o seguro doença e a proteção acidentária,
 o seguro invalidez
 E o auxílio velhice.
O Assistencialismo organizado
Com a evolução do conceito assistencialista na Europa outros países
começaram a implantar o sistema social de ajuda aos necessitados.

Mas foi somente após a primeira Grande Guerra que o mundo passou
a adotar este novo conceito assistencial.

Entretanto, a primeira Carta Política de um Estado a incluir a proteção


do seguro social em seu corpo foi a Constituição Mexicana em
1917. Posteriormente foi acompanhada pelos Estados Unidos, que
em 1935 revolucionaram inovando o conceito de seguro social, que
passou a ser conhecido como Seguridade Social cujo conceito
básico é o amparo geral ao cidadão.
ORIGEM DO ASSISTENCIALISMO
A preocupação em prever o futuro, para provê-lo é evolutiva. É
encontrada, no começo, no assistencialismo.

Neste sistema, desorganizado, a ajuda prestada às pessoas


tinha como base a caridade, a democracia e o altruísmo. O
assistencialismo consiste nos cuidados, na proteção e no auxílio
que indivíduos, famílias ou grupos prestam aos necessitados
(nesta classificação, para alguns povos, incluíam-se os
deficientes físicos, idosos, miseráveis e outros carentes de
amparo).

Consta que haviam normas assistenciais, por exemplo, no


Código de Manu (Índia), no Código de Hamurabi (Babilônia), e
assim por diante.
O SERVIÇO PRESTADO NO
ASSISTENCIALISMO: DETALHES
 Nesta primeira etapa de proteção social, ou seja, da
assistência pública, ao indivíduo em situação de
necessidade - em casos de desemprego, doença e
invalidez - socorria-se da caridade dos demais
membros da comunidade.
 Fundada na caridade, na maioria das vezes conduzida
pela Igreja, e mais tarde por instituições públicas
 Não havia direito subjetivo do necessitado à proteção
social, mas mera expectativa de direito, uma vez que o
auxílio da comunidade ficava condicionado à existência
de recursos destinados à caridade.
Desvinculação do auxílio ao
necessitado da caridade
A desvinculação entre o auxílio ao necessitado e a caridade
começou na Inglaterra, aponta-se a famosa Lei dos Pobres
(Poor Law), editada em 1601, que impunha às paróquias à
obrigação de socorrer aos infortunados de sua jurisdição,
arrecadando, para tanto, taxas dos respectivos membros.
A Lei reconheceu que cabia ao Estado amparar o
comprovadamente necessitados.

Cabia à Igreja a administração de um fundo, formado com a


arrecadação de uma taxa obrigatória "o Poder Público
tornava cogente o binômio igualdade-solidariedade”
MUTUALISMO
A preocupação com o bem-estar de seus membros
levou algumas categorias profissionais a
constituírem caixas de auxílio, com caráter
mutualista, que davam direito a prestações em
caso de doença ou morte.
Havia uma semelhança com os seguros de vida,
feitos principalmente por armadores de navios.
Evoluiu o assistencialismo para o mutualismo, em
que já se encontra alguma organização, o grupo
reunia-se e colaborava para que houvesse a
cobertura das necessidades vitais dos seus
integrantes.
MUTUALIDADES
O mutualismo está ligado à solidariedade de grupos de pessoas.
Consiste na defesa de interesses comuns,
Sendo um sistema em que os indivíduos se organizam em associações
ou entidades (mutualidades), cotizando-se para a formação de
recursos, destinados a proteção recíproca ou de familiares, em face
de certos eventos tais como:
 a doença
 a invalidez
 a velhice
 a morte
 e outros.
importante: até aqui o indivíduo deveria se submeter a
comprovações vexatórias de suas necessidades.
Antecedentes do mutualismo
São:
os colégios gregos e romanos, os sodalícios
(na Antiguidade);
as corporações de ofícios, as guildas ou ligas
(na Idade Média)
podem ser considerados como inspiradores
do sistema mutualista.
No Brasil
A assistência pública no Brasil, foi prevista na
Constituição de 1824, cujo artigo 179, § 31,
garantia os socorros públicos.
INTERVENCIONISMO ESTATAL: Baseado na
solidariedade social

Conceito: o intervencionismo consiste na criação e imposição,


pelo Estado, do sistema de previdência, assegurando a
proteção social, mediante sua intervenção.
A maioria dos estudiosos situa a origem da Previdência Social na
lei Alemã de 1883, que instituiu o seguro-doença obrigatório
em favor dos operários (custeado pelos patrões e
empregados).
Daí caminhou-se para o sistema da Previdência Social, com a
intervenção do Estado, é criado o Seguro Social, obrigatório,
com a interveniência do Estado.
Todos os segurados do Sistema, que contribuem
involuntariamente, bem assim seus dependentes, são seus
beneficiários.
O ideal previdenciário
Hoje cogita-se da Seguridade Social, a
implantação de um sistema mais amplo, no
qual a pessoa, pelo fato de ser pessoa, tem
direito de receber recursos mínimos para uma
sobrevivência digna.
Com a intervenção estatal e com a implantação
da ideia da Seguridade Social, o Direito
Previdenciário ganha, na atualidade,
relevância sem precedentes.
Relevância do Direito Previdenciário
Porque o estudo de formas de sustentação do sistema
ganha tanta relevância?
A razão é simples:
milhões de pessoas, direta ou indiretamente,
dependem dos recursos advindos dos órgãos de
Previdência Social:
 na condição de segurados ou na de dependentes.
 para a manutenção da sobrevivência (prestações
continuadas em dinheiro)
 para o restabelecimento da saúde (prestações e
serviços).
O SEGURO DE NATUREZA CIVIL

A partir do desenvolvimento do comércio marítimo e da


existência de comerciantes em geral, surgiram as empresas
seguradoras, com fins lucrativos e administração baseada em
critérios econômicos, com saneamento financeiro.

O seguro do Direito Civil forneceu as bases para a criação de um


novo instrumento garantidor de proteção em situações de
necessidade.
As bases do Seguro de natureza civil
A primeira forma de seguro surgiu no século XII: o seguro
marítimo, sendo reivindicação dos comerciantes
italianos. Não eram, ainda, as bases técnicas e jurídicas
do seguro contratual.

O desenvolvimento do instituto do seguro fez surgir


novas formas: seguro de vida, seguro contra invalidez,
danos, doenças, acidentes, etc.

O seguro decorria do contrato, e era de natureza


facultativa, isto é, dependia da manifestação de
vontade do interessado.
O SEGURO SOCIAL: ORIGEM
A proteção securitária era privilégio de uma
minoria que podia pagar o prêmio, deixando
fora da proteção a grande massa assalariada.

Era necessário então, criar um seguro de


natureza obrigatória, que protegesse os
economicamente necessitados, aos quais o
Estado deveria prestar assistência.
Formato do Seguro Social
 Para o caso, seria essencial tornar tal seguro obrigatório
para todos que pertenciam a importantes categorias de
trabalhadores.
 Criar formas de proteção para fazer frente aos principais
riscos a que se encontravam sujeitos os trabalhadores
 Tal questão, ou seja, como funcionaria esse modelo de
proteção, deveria necessariamente ser da competência do
Estado.
 De outro lado, o Estado deveria ajudar os trabalhadores a
suportar os custos desses seguros. (proteção aos diversos
eventos). Para tanto caberia também ao Estado adotar
alguma medida chamando a contribuir a categoria
empregadora.
SURGE O SEGURO SOCIAL
O final do século XIX marcou o surgimento de um novo tipo de seguro, cuja garantia
de efetividade dependia da distribuição dos riscos por grupos numerosos de
segurados. Para isso era necessário que as entidades seguradoras assumissem a
cobertura dos riscos, sem, contudo, selecioná-los.
Nasceu o Seguro Social, na Prússia, em 1883, com a Lei do Seguro Doença, que criou o
Seguro Enfermidade, resultado da proposta de Bismarck para o programa social.
 A Lei do Seguro Doença é tida como o primeiro plano de Previdência Social de
que se tem notícia.
 Ao se tornar obrigatório, o seguro social passou a conferir direito subjetivo ao
trabalhador.
 Importante notar que a cobertura foi estendida a riscos como:
  doença, invalidez, desemprego, orfandade e viuvez, não sendo mais restrito aos
trabalhadores da indústria.

 O seguro social era organizado e administrado pelo Estado. O custeio era dos
empregadores, dos empregados e do próprio Estado.
resumo
A Previdência Social, historicamente, portanto, iniciou sua
evolução num regime privado e facultativo
característico das associações mutualistas, passando,
depois, aos regimes de seguros sociais obrigatórios, em
que já transparece a intervenção do Estado e,
atualmente, tenta firmar-se num sistema de
seguridade social, com novas luzes e conceitos, a fim
de aumentar os riscos cobertos, melhorar suas
prestações, universalizar sua cobertura e, num grau
máximo de solidariedade e igualdade material,
transferir ao Estado a responsabilidade global pelos
custeio das prestações por intermédio de impostos.
O embrião dos mecanismos de
proteção social
Diga-se, pois, que há registros de que já na idade média existiram instituições mutualistas, restritas a algumas
organizações ou corporações profissionais, principalmente os armadores de navios, que passaram a formar fundos
ou caixas de socorros para proteção de seus membros, o que pode ser considerado como o primeiro embrião
mundial da previdência social.
Contudo, somente em 1601, na Inglaterra, é que surgiu a primeira lei previdenciária do mundo.

Trata-se da chamada Lei dos Pobres (Poor Law Act ou Act of the Relief of the Poor), editada pela rainha Isabel I
estabelecendo uma contribuição obrigatória, arrecadada da sociedade e administrada pela Igreja (por meio de
suas paróquias), que teria como propósito a manutenção de um sistema protetivo em favor dos necessitados e
das pessoas carentes, especialmente crianças, velhos, inválidos e desempregados. O dinheiro era arrecadado
entre todos os que estivessem em condições de contribuir e era destinado, especificamente:
a) para viabilizar a obtenção de emprego para as crianças pobres por meio da aprendizagem, que poderia ser
obrigatória até os 24 anos para os varões e até 21 anos para as mulheres;
b) para o ensinamento do trabalho para os pobres que não tinham nenhuma especialização; e
c) para o atendimento dos inválidos em geral.

Esta lei é definida pela doutrina como o marco inicial da proteção social no mundo, posto que esta tem exatamente
esse papel, ou seja, atender pessoas necessitadas que não têm como providenciar o seu sustento.
A Declaração dos Direitos do Homem e
do Cidadão
Em 1789, a Declaração dos Direitos do Homem e
do Cidadão, marcou, de fato, a ampliação da
ideia de seguridade, não mais atrelada à
questão exclusivamente social, passando a ser
considerada direito de todos.
É a proposta de universalização do sistema.
Os seguros sociais de Bismarck

Mas somente a partir de 1883, na Alemanha, é que surge o


primeiro sistema previdenciário.
Tal inciativa é creditada ao então chanceler Otto Von Bismarck
que criou, inicialmente, o seguro-doença, custeado por
contribuições dos empregados e dos empregadores.
As contribuições de ambos seriam utilizadas na manutenção
de um sistema protetivo em favor dos trabalhadores.

Em 1884 foi instituído o seguro contra acidentes de trabalho,


o qual era custeado pelos empresários.
Os seguros sociais de Bismarck

Por fim, foi instituído o seguro contra invalidez e velhice,


ambos em 1889, que eram custeados pelos
empregados, pelos empregadores e pelo Estado.
O objetivo dos chamados seguros sociais de Bismarck foi
o de, precipuamente, impedir movimentos socialistas
fortalecidos com a crise industrial, atenuando a tensão
existente nas classes de trabalhadores.
Era clara a intenção de Bismarck em ampliar o espectro
de proteção previdenciária aos trabalhadores, tendo
em mente que por mais caro que pareça o seguro
social, resulta menos gravoso que os riscos de uma
revolução.
Importante salientar que os seguros sociais tornaram obrigatória a
filiação às sociedades seguradoras ou entidades de socorros mútuos
dos trabalhadores que recebessem até dois mil marcos por ano.
Quando o próprio Poder Público impõe de modo compulsório uma
contribuição arrecadada dos trabalhadores, a obtenção do benefício
passa a ser um direito subjetivo do trabalhador.
O trabalhador pode exigir aquela prestação independentemente de
garantias financeiras.

Portanto, a Lei de Bismarck é considerada o Marco Inicial da


Previdência no Mundo, dado que, neste momento, apresentam-se
as características básicas do sistema previdenciário moderno, que
são:
 a compulsoriedade de filiação
 e a natureza contributiva.
O “National Insurance Act”

Surge então, na Inglaterra, o “Workmen’s Compensation Act”, em 1897, o


qual criou o seguro obrigatório contra acidentes de trabalho.
Tal documento criou, para o empregador, uma responsabilidade civil de
cunho objetiva, ou seja, independente de culpa.
Ademais, em 1908 adveio o “Old Age Pensions Act”, o qual teve o condão de
conceder pensões aos maiores de 70 anos, independente de custeio.
Contudo, o mais importante marco é o “National Insurance Act”, de 1911, o
qual criou um sistema compulsório de contribuições sociais, as quais
ficavam a cargo do empregador, do empregado e do Estado.
Em contrapartida, assegurou-se uma espécie de licença-saúde, tratamento
gratuito para tuberculose, benefícios relacionados à maternidade e ainda
proteção contra o desemprego.
A Constituição Mexicana de 1917
Foi a Constituição do México de 1917, considerada como a
primeira Constituição social do mundo, que incluiu em seu
texto, de maneira até então pioneira, a Previdência Social
propriamente dita não se devendo deixar de salientar,
entretanto, o caráter programático de todas as normas que
previam direitos sociais (o que incluem as normas relativas
à Previdência Social).
Normas programáticas, como se sabe, são aquelas que
estabelecem diretrizes para o Estado sem, contudo,
imprimir caráter imperativo.
Contudo, não há que se negar a importância de se elevar ao
status constitucional normas de direitos sociais.
A criação da Organização Internacional do Trabalho

Celebrado o Tratado de Versalhes, em 1919, voltaram-se todas as


atenções para os problemas sociais, com ênfase à proteção do
trabalho.
Imediatamente cria-se a Organização Internacional do Trabalho (OIT)
que, como sabido, desenvolve suas atividades até os dias atuais,
sendo um organismo especializado da Organização das Nações
Unidas (ONU), cuja finalidade é atuar em todos os países, fixando
princípios programáticos ou regras imperativas de determinado
ramo do conhecimento humano, sobretudo sobre Direito do
Trabalho e Previdência Social.
A OIT teve um desempenho extraordinário na uniformização e
aperfeiçoamento das legislações nacionais, tanto que se afirma que
não exista nenhum país que não se tenha utilizado de seus serviços,
quanto a incorporação de suas indicações ao seu direito posto.
O “Social Security Act”

A crise econômica de 1929 faz surgir graves problemas sociais,


em função deles é que surge, em 1935, nos Estados
Unidos, o New Deal, plano do governo Roosevelt pautado
na doutrina do Welfare State (Estado do bem esta social).
Neste contexto é que foi editado o Social Security Act, de
14 de agosto de 1935, o qual, além de estimular o
consumo, previa também o auxílio aos idosos, além de ter
instituído o auxílio-desemprego para os trabalhadores que,
temporariamente, ficassem desempregados.
Pode-se dizer que se tratou de um sistema previdenciário com
ampla margem de atuação.
A Constituição de Weimar

Ainda em 1919, na Alemanha, tem-se o advento


da Constituição de Weimar, a qual
determinava que o Estado, caso não pudesse
proporcionar aos cidadãos alemães
oportunidades de trabalho produtivo, seria
responsável por lhes garantir a subsistência.
O Relatório Beveridge (“Report on
Social Insurance and Allied Services”)
A Segunda Guerra Mundial causou danos sociais
catastróficos em todo o mundo, e particularmente na
Europa.
Em razão dessa circunstância é que o governo composto
por uma coalizão de partidos chefiada pelo primeiro-
ministro conservador Winston Churchill encomendou,
em meados de 1941, a formação de uma comissão
interministerial (Committee on Social Insurance and
Allied Services) que tinha como objetivo planejar e
propor reformas ao serviço de seguridade social então
vigente, o Nacional Insurance Act de 1911.
Com esta iniciativa, o governo pretendia fornecer um
incentivo ao esforço nacional de guerra, além de assegurar
um nível aceitável de padrão de vida para a população e
promover a solidariedade entre as classes.

Antevendo demandas políticas e econômicas ao término do


conflito mundial, as políticas sociais eram entendidas como
um mecanismo de estabilidade macroeconômica
necessárias para manter a ordem em períodos críticos
como aquele.
Nesse sentido, não era uma simples questão de seguridade
social, mas envolvia a sociedade como um todo.
Organizado pelo economista liberal e funcionário público William
Beveridge, o Relatório contou com o apoio técnico do governo,
recebeu diversas sugestões de entidades privadas e de figuras
ilustres como o economista John Maynard Keynes.
Os trabalhos foram amplamente divulgados a fim de estimular a
participação pública na construção do projeto.
Embora o caráter do projeto fosse estritamente pragmático, a
elaboração do documento, entre outras atribuições, realizou um
balanço histórico das medidas assistenciais inglesas, diagnosticou a
situação das famílias e suas necessidades e elaborou um
levantamento dos planos nacionais de seguridade social existentes
no mundo (foram analisados ao todo 30 países).
Durante sua elaboração constatou-se o atraso da Grã-Bretanha em
relação aos outros países e a necessidade de aprimoramento do
sistema, abarcando todas as esferas imprescindíveis ao Bem-Estar.
O relatório pretendia, através da completa racionalização do sistema de seguros sociais
vigente, inovar e superar as experiências realizadas até então, formulando um
modelo que atendesse toda a população mediante um esforço conjunto do Estado
e da sociedade.

Os benefícios deveriam ser ajustados para compreender todas as necessidades básicas


dos indivíduos e das famílias, e sua duração seria ilimitada até a resolução do
problema. Pretendia criar um senso de orgulho e solidariedade, promovendo a
igualdade e o comprometimento dos indivíduos. Ademais, os usuários que fizessem
dos benefícios sua única fonte de renda, tendo a possibilidade de buscar outros
meios de subsistência seriam punidos.

Juntamente com as medidas de seguridade social, o relatório previa que o governo


deveria assegurar serviços de saúde com qualidade e gratuidade, fornecer meios
para a reabilitação profissional e promover a manutenção do emprego.

Segundo o Relatório Beveridge, evitar o desemprego em massa era a condição para o


êxito do seguro social. O plano tinha ainda preocupações com a taxa de natalidade
e mortalidade, amparo à infância, proteção à maternidade, reforma do sistema
previdenciário, preocupação com doenças e incapacidades, além de despesas
especiais com aluguel, nascimento, casamento, viuvez e morte. Beveridge,
entretanto, elegeu os maiores problemas que a sociedade inglesa deveria
enfrentar, os “cinco gigantes”: a doença, a ignorância, a miséria, a imundície e a
desocupação.
O modelo Beveridge oferece uma ampla variedade assistencial e promove um alto grau de
“desmercadorização” – termo cujo significado considera os serviços sociais como direitos do
cidadão, pois sua abrangência possibilita que este possa manter-se sem depender do mercado,
permitindo a emancipação do indivíduo e a elevação da qualidade dos postos de trabalho. Com
essas características a publicação do Relatório é considerada um marco histórico para as políticas
sociais, embora não seja um documento revolucionário, como o próprio Beveridge chegou a afirmar,
pois se baseou em regimes já existentes em outros países.
O desenvolvimento das políticas sociais inglesas teve, sob influência do Relatório Beveridge, um
inquestionável aprimoramento qualitativo. Há claras evidências de que as circunstâncias da época e
do país colaboraram muito com o surgimento de um relatório nos moldes em que foi organizado. A
Inglaterra encontrava-se em uma posição geopolítica favorável, sendo um dos países mais
avançados e ricos do mundo. Além disso, contaria com pleno apoio para a reconstrução no pós-
guerra através do Plano Marshall de 1947, amenizando problemas econômicos e facilitando a
aplicação de algumas medidas de Bem-Estar já em curso.
Desta forma, o conflito mundial foi um fator ainda mais importante, pois da maneira como se
desencadeou, fortaleceu a unidade nacional, o consenso em torno das medidas de seguridade social
e promoveu reflexões quanto ao futuro da nação. A ideia do Plano Beveridge, como foi definido pela
imprensa da época, era a proteção “do berço ao túmulo”, ou seja, toda pessoa, em qualquer
momento da sua vida, teria ampla proteção do Estado em caso de necessidade. O Plano Beveridge
visava a atender a toda a sociedade, e não apenas aos trabalhadores. O grande mérito do Relatório
foi apresentar de maneira pioneira um plano político concreto, com propostas de reformas sociais
abrangentes e universalistas. Assim, foi capaz de implantar um avançado regime de proteção social
obtendo ampla aceitação e repercussão.
O Relatório Beveridge teve grande peso na decisão eleitoral ao final do governo de guerra. O partido
social-democrata triunfou frente ao partido conservador de Winston Churchill, ao representar maior
compromisso com a implementação das reformas descritas no plano e devido ao desgaste sofrido
pela coalizão direitista no decorrer da guerra. Entretanto, o governo apresentou sua própria versão
do relatório, ficando clara a intenção de aplicar somente as medidas que incentivassem o trabalho,
protegendo e estimulando a classe trabalhadora.
O pós-guerra
Vários foram os instrumentos surgidos no Direito Internacional voltados para a consagração e concreção
dos direitos sociais, dentre os quais pode-se citar: a Declaração Americana Dos Direitos e Deveres do
Homem (1948), a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), a Carta Social Europeia (1961),
o Pacto Internacional de Direitos Econômicos Sociais e Culturais (1966) e a Convenção Americana
sobre Direitos Humanos (1969).
No que tange à Previdência Social especificamente, cabe trazer à colação o art. 25 da Declaração
Universal dos Direitos do Homem:

“Toda pessoa tem o direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe a saúde, e o bem-estar próprio e
da família, especialmente no tocante à alimentação, ao vestuário, à habitação, à assistência médica
e aos serviços sociais necessários; tem direito à segurança no caso de desemprego, doença,
invalidez, viuvez, velhice ou em qualquer outro caso de perda dos meios de subsistência, por força
de circunstâncias independentes de sua vontade”.

Ademais, com o término da Segunda Guerra Mundial, mesmo tendo saído vitoriosas as potências de
democracias liberais, foram comprimidas a reformular as políticas sociais, já que era necessário
demonstrar a preocupação com os temas sociais, justamente em contraposição ao fascismo e ao
socialismo.
Além disso, a devastação provocada pelo conflito armado, bem como a penúria econômica em que
mergulhou toda a Europa, facilitaram a aceitação dos princípios de uma ampla proteção social.
Surge, assim, após o término da Segunda Guerra Mundial a formação
dos Estados do Bem-Estar Social, ao menos até o início da década de
1970, mobilizando grande parte das estruturas dos Estados para
uma frente intervencionista, adaptando-se às novas exigências
políticas e sociais, nas quais os direitos sociais ganharam muito mais
relevo.
Com efeito, houve uma enorme aplicação de gastos públicos nas áreas
sociais com a ampliação das prestações.
Assim, efetivamente no século XX é que os direitos sociais
experimentaram significativo avanço, passando de meras aspirações
e reivindicações da classe trabalhadora e dos menos favorecidos
para tornarem-se verdadeiramente direitos subjetivos, palpáveis e
concretizáveis, pois garantidos por instrumentos normativos de
eficácia comprovada e pela própria feição do Welfare State,
concretizando-se, inclusive, em nível normativo nas Constituições
dos Estados não apenas como normas programáticas, sem nenhuma
eficácia, pelo contrário, mostrando-se certo grau de eficácia com
limites muitos menos estreitos.
Atualmente, aliás, mesmos as normas constitucionais meramente programáticas
não são consideradas apenas como simples valores, diretrizes ou comandos
sem eficácia. A doutrina mais moderna, pelo contrário, atribui sim eficácia
normativa aos comandos programáticos, garantindo-lhes nem que seja um
comando mínimo de eficácia.
Os direitos sociais concretizáveis só mediante prestações positivas assumem nova
feição. A atuação dos poderes públicos provendo as necessidades dos
indivíduos destoa completamente da perspectiva inicial dos direitos
fundamentais em que bastava uma posição negativa do Estado, numa relação
entre lei e liberdade. Erigidos os direitos sociais ao grau máximo de direitos
fundamentais, chamados de segunda geração numa concepção histórica, já
que não há grau de hierarquia entre os preceitos fundamentais, tornam-se
passíveis de serem efetivamente exigidos do Estado.
Com isso, não se pode excluir os direitos econômicos, sociais e culturais do rol dos
direitos fundamentais de segunda geração, muito menos relegar ao segundo
plano as liberdades públicas, tidas como direitos fundamentais de primeira
geração. Brotava, então, o embate entre o completo atendimento das
prestações positivas pelo Estado e as limitações de recursos para o seu
atendimento, na medida em que se deveria igualmente proteger a
propriedade, também, como valor fundamental.
Desafio previdenciário
O desafio desse embate está justamente na conformação dos
direitos fundamentais, por intermédio de mecanismos que
possam atender o núcleo essencial de cada direito,
voltados para a dignidade da pessoa humana, sendo por
isso que se afirma que os direitos fundamentais não têm
caráter absoluto, já que constantemente em confronto, um
não deve superar completamente os outros, devem
acomodar-se, buscar conciliação entre seus postulados.
Nesse contexto, conclui-se que a construção de um sistema de
seguridade social somente será alcançado com o devido
planejamento, constituindo-se de um projeto de longo
prazo, com a extensão de todos os benefícios a toda a
população.
CONSTRUÇÃO DA IDEIA DE SEGURIDADE SOCIAL NO
MUNDO

ANTECEDENTES A previdência social - surgimento – após a


Revolução Industrial – referência histórica –
industrialização.
Origem : lei Alemã de 1883 – institui o seguro-doença
obrigatório para os operários pago pelos patrões.
Importância do Direito Previdenciário: Com a intervenção
estatal e com a implantação da ideia da Seguridade Social,
o Direito Previdenciário ganha, na atualidade, relevância
sem precedentes. A razão é simples: milhões de pessoas,
direta ou indiretamente, dependem dos recursos advindos
dos órgãos de Previdência Social, ou na condição de
segurados ou na de dependentes, ou para a manutenção
da sobrevivência (prestações continuadas em dinheiro), ou
para o restabelecimento da saúde (prestações e serviços).
HISTÓRIA GERAL
As fases da Previdência Social ou da Seguridade Social,
são três: formação, universalização e da seguridade
social.
O final do século XIX marcou o surgimento de um novo
tipo de seguro, cuja garantia e finalidade dependia da
distribuição dos riscos por grupos numerosos de
segurados. Para isso, era necessário que as entidades
seguradoras assumissem a cobertura dos riscos, sem,
contudo, selecioná-los.
Nasceu o seguro social, na Prússia, em 1883, com a Lei do
SEGURO DOENÇA, que é tida como o primeiro plano de
Previdência Social que se tem notícia.
Período de formação.
Inicia-se em 1883, encerrando-se ao tempo da
Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918).
Em 1883 com o Chanceler Otto Von Bismarck, na
Alemanha houve a elaboração da lei do
seguro-doença, (marco inicial da Previdência
Pública), também a lei do seguro contra
acidentes do trabalho, em 1884 e finalmente
da lei do seguro contra invalidez e velhice, em
1889.
PERÍODO DA UNIVERSALIZAÇÃO:
Corresponde à etapa da denominada expansão
geográfica da Previdência Social, do Tratado de
Versalhes, de 1919 (que criou a Organização
Internacional do Trabalho- OIT), e vai até a Segunda
Guerra Mundial (1939-1945), sua característica foi a
disseminação do seguro social obrigatório pelo mundo
todo, abrangendo a América e, até, a Ásia.
Marcos importantes deste período: A Lei da
Seguridade Social, de 1935, nos EUA (Social Secutity
Act) - utilizando, pela primeira vez, a expressão
"seguridade social" e os planos de Lord Beveridge (de
1942 e de 1944), visando à reformulação da
Previdência Social, na Inglaterra.
PERÍODO DA SEGURIDADE SOCIAL:
Principia "em meio à última grande guerra, em 1941, com a histórica Carta do Atlântico,
relativa ao advento da Seguridade Social, cuja filosofia visa a tornar cada cidadão titular
do direito subjetivo ao bem-estar social" (Arnaldo Sussekind).

Merecem destaque:

em 1942, a Declaração de Santiago (Primeira Conferência Interamericana da Seguridade


Social) - objetivos e o conteúdo da Segurança Social;
em 1944, a Declaração de Filadélfia, na 26º sessão da Conferência internacional do
Trabalho (assentando os princípios e os objetivos da OIT);
em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovados pela Assembleia Geral
da ONU;
em 1952, a Convenção n°102 da OIT, estabelecendo as Normas Mínimas de Seguridade
Social (35º sessão da Conferência internacional do Trabalho, em Genebra);
em 1974, a Declaração dos Princípios Fundamentais de Direito do Trabalho e de Segurança
Social (V Congresso Ibero-Americano de Direito do Trabalho e da Segurança Social, no
México).