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Psicossomática e Psicanálise

Mariana Lira
• No mesmo período em que surge o termo
psicossomática, Freud, interessado em encontrar um
tratamento efetivo para os pacientes histéricos, funda a
Psicanálise e apresenta suas ideias defendendo um
sentido para os sintomas psíquicos manifestos no corpo e
recalcados no inconsciente
• Freud no final do século XIX, resgata a importância dos
aspectos internos do homem com o desenvolvimento da
teoria psicanalítica.

• Não encontrando lesão orgânica nos corpos das histéricas que


justificassem os sintomas apresentados, ele apresenta em sua
publicação “Algumas considerações para um estudo
comparativo das paralisias motoras orgânicas e histéricas”
que “a histeria se comporta como se a anatomia não existisse,
ou como se não tivesse conhecimento desta”
• Desde o início a psicanálise partiu do corpo uma vez que o
sintoma aparecia no corpo.

• Freud relacionou a emoção reprimida, não aliviada pelos


canais normais de atividades voluntárias, à constituição dos
distúrbios crônicos e psíquicos no corpo.

• Ela está recalcada dando espaço para o mesmo afeto se


associar a novos representativos, retornando
substitutivamente através do sintoma
• O fundador da psicanálise apropria-se do
termo médico histeria e teoriza a neurose e a
histeria de conversão como sendo a estrutura
responsável pelas manifestações somáticas
dos conflitos psíquicos
• Ele postula as fases do desenvolvimento psicossexual e enfatiza os
conflitos das fases oral e anal como elementos importantes na
estruturação psíquica da personalidade psicótica (esquizofrenia ou
transtornos de humor ou paranoia).

• Enfatiza o conflito edípico, da fase fálica, como elemento


importante na estrutura neurótica (obsessiva compulsiva, neurose
histérica de angústia ou neurose histérica de conversão).

• A forma como o conteúdo recalcado retornará à realidade do


sujeito definirá o tipo de neurose
• Segundo Laplanche e Pontalis (2001, p. 296),
neurose é uma “afecção psicogênica em que
os sintomas são a expressão simbólica de um
conflito psíquico que tem raízes na história
infantil do sujeito e constitui compromisso
entre o desejo e a defesa”.
• Ainda segundo esses mesmos autores, a histeria,
enquanto estrutura, é uma classe de neurose
(distúrbio emocional cuja característica principal é a
angústia) e pode ser de dois tipos: de conversão (se
caracteriza pela predominância de sintomas de
conversão) e de angústia, cujo sintoma central é a
fobia.
• Considerando que a estruturação da personalidade
acontece principalmente durante os primeiros anos de
vida de um sujeito, a mãe, ou seus substitutos, ao prover
os cuidados ao bebê, propicia-lhe não apenas satisfação
material (alimentação, limpeza), mas igualmente sua
própria experiência afetiva e libidinal, que acompanha
tais ações.
• O pensar freudiano mudou o rumo dos
estudos, mesmo sem intenção de fazê-lo. Ele
provocou uma mudança de paradigma, ao
superar o reducionismo biológico imposto
pela tradição cartesiana, inspirando outros
autores a investigar mais sobre o assunto
• Apesar de não ter se aprofundado nas
questões de somatização, com os estudos
sobre histeria, Freud assinala a relevância dos
aspectos psíquicos em algumas manifestações
somáticas, fornecendo bases para se pensar
na interação entre o psíquico e o somático a
partir da psicanálise.
Groddeck
• Georg Walther Groddeck nasceu na cidade alemã de Bad
Kösen em 1866, ou seja, dez anos depois de Freud. Tornou-se
médico por influência do pai que também o era.

• A grande ironia do destino é que mesmo sem ter lido uma


vírgula de Freud, sem nunca ter ouvido falar em psicanálise e
tratando de pacientes com doenças orgânicas e não neuroses,
Groddeck havia chegado às mesmas conclusões de Freud
• Em 1917, Groddeck publica Condicionamento
psíquico e tratamento de moléstias orgânicas
pela psicanálise” no periódico Internationale
Zeitschrift für Psychoanalyse, sendo este
considerado o marco da medicina
psicossomática.
• A viga mestra do pensamento de Groddeck é
que toda doença pode ser lida como um
símbolo, pois, do seu ponto de vista, o sujeito
sempre ficaria doente com algum propósito,
para cumprir uma determinada finalidade.
• Temos uma dificuldade enorme para considerarmos esse raciocínio de
Groddeck plausível, pois a tradição na qual fomos formados nos ensinou
que finalidade e propósito são atributos apenas de atos psíquicos, como
pensamentos, lembranças, desejos etc.

• Dentro da tradição científica, tudo o que diz respeito ao corpo é


absolutamente distinto da psique, seguindo uma causalidade puramente
material e mecânica, nos acostumamos a pensar que a doença orgânica é
algo que acontece em nós e com o qual nós, enquanto sujeitos pensantes,
não temos absolutamente nada a ver.
• Só fazemos isso porque admitimos um pressuposto
cartesiano de entendimento da realidade o que subjaz à
nossa compreensão da doença é a ideia de que nós
somos feitos de dois tipos de substâncias: uma pensante
(a psique), que funciona a partir da nossa vontade (seja
ela consciente ou inconsciente) e outra material, não-
pensante (o corpo) que funciona de acordo com as
mesmas leis da matéria a partir das quais um relógio
funciona.
• Se jogassemos fora esse pressuposto e
passamos a pensar que, na verdade, somos
uma substância única, dotada de
intencionalidade, desejos e finalidades, que se
expressa ao mesmo tempo como psique e
corpo, o entendimento da doença muda
completamente.
• Groddeck define a doença como uma das
expressões do Isso, tal como seriam o formato
do nariz, o jeito de andar, enfim, como uma
manifestação de vida, e não como um mal a
ser combatido a qualquer preço.
• É por isso que não se pode falar propriamente em
psicossomática em Groddeck, pois, para o autor, não há uma
causalidade psíquica nas doenças orgânicas.

• Em outras palavras, não se trata da psique agindo sobre o


soma. A doença, para ele seja ela psíquica, como uma
neurose obsessiva, ou orgânica, como um câncer, brota de
uma mesma fonte, que é essa substância única que somos e
que Groddeck chamou de “Isso” (em alemão: “das Es”)
• Esse termo, que Groddeck extrai de um trecho da obra de
Nietzsche, é utilizado em alemão no sentido impessoal.

• Quando se o utiliza, não se sabe se o referente é homem,


mulher, criança, velho, uma cadeira, um pensamento, ou seja,
é o termo ideal que Groddeck encontrou para dar nome a
esse novo modo de entender o ser humano que o concebe
para-além das diferenças às quais nós estamos acostumados:
físico/psíquico, homem/mulher, velho/jovem.
• Em vez de pensar no homem como dividido em corpo/psique,
Groddeck preferirá pensar no indivíduo como um Isso, que não é
nem corpo nem psique, mas que se expressa psíquica e
corporalmente.

• Ao desfazer a separação o autor agora pode tranquilamente pensar


a doença física como tendo uma finalidade, uma significação, um
propósito, pois ela já não seria um fenômeno apenas do corpo, que
segue leis puramente mecânicas, mas um fenômeno do indivíduo
como um todo, o qual não pode ser concebido sem finalidade e
propósito.
• Portanto, do ponto de vista groddeckiano, não seria
necessária uma técnica especial ou um enquadramento
terapêutico específico para o tratamento de doenças
orgânicas pela via da psicanálise.

• O sintoma orgânico seria visto da mesma forma que um


sintoma neurótico, ou seja, como algo a ser decifrado,
considerando que sua decifração corresponde ao
delineamento dos conflitos aos quais ele responde.
• A experiência de Groddeck, exemplificada
pelas inúmeras experiências clínicas que o
autor expõe em seus escritos, mostra que a
aplicação do método psicanalítico tal como
Freud o concebeu é plenamente eficaz na
remissão de sintomas orgânicos tanto leves
quanto graves.
Escola Americana de
Psicossomática
• O interesse pela psicossomática no Estados
Unidos surge por volta dos anos 30,
consolidando-se em meados deste século com
Alexander e Dunbar da Escola de Chicago.
• Estes autores consideram que os transtornos psicossomáticos
seriam “consequência de estados de tensão crônica, relativa à
expressão inadequada de determinadas vivências, que seriam
derivadas para o corpo

• Defendem ainda a questão da especificidade da doença


psicossomática numa visão psicogenética.
• Helen Dunbar foi a primeira a introduzir o conceito de
psicossomática na literatura científica americana. Ela foi a
fundadora da Sociedade Americana de Psicossomática.

• Ela criou a noção de que haveria personalidades predispostas


para acidentes (pessoas impulsivas, por exemplo) e
personalidades corinaropaticas (ambiciosas, metódicas,
agressivas)

• A conversão somática seria apenas uma forma pela qual os


mecanismos psíquicos influenciariam as funções somáticas
• Franz Alexander vai mais longe, para ele a função do
sistema nervoso é manter o corpo em homeostase.

• Para esse autor, as perturbações psicossomáticas


seriam consequências dos estados de tensão crônica
relativa a uma expressão desadequada de vivências
• Retomando os conceitos já estudados por Freud,
Alexander define o sintoma conversivo como “a
expressão simbólica de um conteúdo psicológico
emocionalmente definido; é uma tentativa de
descarregar a tensão emocional.”

• Já a neurose, para o mesmo autor, é uma “resposta


fisiológica dos órgãos vegetativos a estados emocionais,
que, ou são constantes, ou retornam periodicamente”.
• Alexander propagou nos EUA uma tese que acabou
se tornando parte do senso comum segundo a qual
conflitos inconscientes muitos intensos gerariam um
estado de tensão tamanha que, ao se tornar crônico,
acabaria por prejudicar o funcionamento de
determinados órgãos
A Escola Francesa

• Insatisfeito com as ideias de Franz Alexander


sobre inconsciente e as doenças somáticas,
Pierre Marty juntamente com psicanalistas da
Sociedade psicanalista de Paris e L. Kreisler
criaram a Escola Francesa de Psicossomática.
• Para eles, pacientes somáticos se caracterizam por
um modo de funcionamento psíquico distinto
daquele apresentado por neuróticos e psicóticos.

• Para eles, as doenças orgânicas devem ser


analisadas a partir de uma perspectiva de
continuidade evolutiva e funcional entre o corpo
anatômico e o corpo erógeno.
• Segundo o autor, as pessoas psicossomáticas têm sua
capacidade de simbolização comprometida e
pensamentos voltados para a realidade.

• Assim como Freud, Marty acredita que esse


funcionamento psíquico encontra-se intimamente
ligado a situações ocorridas na primeira infância.
• O psicanalista francês Pierre Marty discordava das ideias de
Alexander, pois suas experiências clínicas lhe mostravam que
não havia essa relação mecânica direta entre conflitos
inconscientes crônicos e doenças orgânicas.

• Ele notou que, que muitos pacientes apresentavam conflitos


dessa natureza, apenas alguns deles somatizavam, de modo
que era preciso supor a existência de outro fator para explicar
porque isso acontecia.
• Na análise clínica dos pacientes, ele constatou a
existência de uma estrutura psicossomática, com modos
de manifestação e defesas singulares. A característica
mais explícita do comportamento desses pacientes,
observada por Marty era o modo como eles faziam uso
das palavras durante a análise.
• Enquanto os neuróticos usavam e abusavam da regra da
associação livre para “viajarem”, empregando voluntária e
involuntariamente metáforas para falarem sobre suas
experiências e dedicavam a maior parte do tempo de
análise para falarem de si, de suas fantasias, medos,
sentimentos etc., os pacientes somatizantes apresentavam
um discurso mecânico, controlado, carente de metáforas e
essencialmente voltado para a descrição da realidade
externa.
• Para Pierre Marty a doença psicossomática é uma
estratégia defensiva empregada por determinados
pacientes como forma de se livrar do excesso libidinal
que não encontrou descarga através da fantasia e das
manifestações decorrentes dela.
• Tais pacientes não são nem neuróticos, nem psicóticos e
nem perversos. Possuem uma estrutura psíquica
específica caracterizada por uma carência
fantasmática que enseja um funcionamento
operatório manifesto em um discurso pobre em
simbolização e voltado para a descrição da realidade
externa
Joyce McDougall
• Psicanalista de origem neozelandesa, mas radicada na
França onde seguiu durante muito tempo o Seminário de
Lacan, embora não seja lacaniana.

• Pode –se dizer que a psicanalista não se afilie a alguma


tradição teórica na psicanálise. Em seus textos, é possível
encontrar o uso de termos e idéias de diferentes autores,
em especial Winnicott e Lacan.
• A teoria de Joyce McDougall acerca do
sintoma psicossomático veio à luz a partir de
sua experiência clínica de
psicanalista tradicional.
• Diferentemente de outros autores, McDougall tomou contato
com a psicossomática no interior do dispositivo analítico
padrão, cuja maioria dos pacientes apresentava queixas de
cunho emocional e neurótico.

• No entanto, começam a aparecer em seu consultório


pacientes cujas manifestações mais proeminentes são de
ordem orgânica, levando McDougall a buscar entender o
significado desses fenômenos na clínica.
• Os estudos de McDougall mostram que pacientes adultos com
distúrbios psicossomáticos, trazem em si ilhas de um
funcionamento psique-soma, que são frutos das etapas primitivas
do desenvolvimento infantil.

• Essas etapas estariam onde o bebê vive com a sua mãe em um


estado de fusão e que por algum motivo não teve acesso a
significantes que dessem subsídio na tarefa de drenar a energia,
impedindo que se torne algo negativo, angustiante.
• No caso desses indivíduos que em sua primeira infância,
por falha da função materna de fornecer significantes,
não puderam fazer circular a energia pulsional de forma
a drená-la, para que possam se constituir minimamente,
resta a busca de outra estratégia que o proteja desse
sentimento de angústia.
• A saída é a criação de uma estrutura diferente da neurose e da
psicose na qual as palavras deixam de ter a função de ligação
pulsional, e tornam-se “estruturas congeladas, esvaziadas de
substância e de significação” onde o discurso, mesmo que
compreensível, é completamente sem afetos.

• Isso significa que o indivíduo simplesmente ejeta os afetos do seu


aparelho mental, mas a pulsão continua presente, apenas não
notada pelo indivíduo que dela faz uso apenas o necessário, sem
haver uso libidinal.
• Por fazer uso dessa estratégia, é comum esses indivíduos
aparentarem não sentir nada (não são afetados).

• Isso porque qualquer afeto que supere essa quantidade


mínima necessária para sua sobrevivência é relacionada
com a situação em que estavam quando bebês, sem
significantes para lidar com a energia pulsional, logo,
utilizam a mesma defesa que utilizaram naquela época:
ejetam o afeto do psiquismo, para que a situação não
fuja do controle