Vous êtes sur la page 1sur 31

Escola Superior de Educação Jean-Piaget

Complemento de Formação Científico-Pedagógica para Educadores de Infância

Metodologia Didáctica Geral e Específica


Professor Carlos Jorge

ENSINAR é
INVESTIGAR
Um itinerário Pedagógico

Discentes:
Inês Fleming
Cândida Vale
Maria de Jesus
Setembro de 2010 Isabel Miranda
Introdução

 O presente trabalho analisa o modelo


 “Ensinar é Investigar”, adaptando-o ao pré-escolar, uma vez
que a sua construção se destina ao 1.º Ciclo do Ensino
Básico
Introdução
 Estrutura do trabalho:

Contextualização do trabalho: enquadramento social,


económico e político em que surgiu o projecto;
Princípios orientadores do Modelo Pedagógico;
 Teorias: breves linhas sobre a pedagogia sócio/construtivista que
sustenta o método em análise;
Conteúdos e Métodos: relacionados com o modelo
apresentado;
○ Diagrama do Modelo Pedagógico: desenvolvimento e
implementação do projecto aplicável desde o pré-escolar ao
fim do Ensino Básico;
Avaliação: formas de avaliação no Modelo Pedagógico;
Actividades: propostas de actividades implementadas;
Considerações finais: considerações sobre a execução do
trabalho.
Características do Modelo
 O projecto “Ensinar é Investigar”
Investigar decorreu entre 1978 e
1986, coordenado pela Dr.ª Maria da Luz Leitão;
Leitão
 A tese sustentada e verificada, defendia que os resultados
das aprendizagens do 1º ciclo melhoravam, se os
professores alterassem a prática pedagógica.

 Foi concebido então, o Modelo para ser aplicável com
qualquer programa, para esta faixa etária de crianças
(tem em conta as diferentes necessidades educativas que
as crianças possam apresentar); a metodologia pode ser
aplicada a qualquer nível de ensino. (metodologia de
projecto)

 Nessa época, Portugal era uma país agrícola, com uma
elevada taxa de analfabetismo, onde as pessoas
dificilmente seguiam os estudos para além da “4.º
Classe”;
Contextualizaçãoem que se
desenvolveu
 Paralelamente, o ensino era disciplinarizado,
expositivo numa palavra, transmissivo;
 A avaliação incidia sobre a capacidade de memorizar
os conhecimentos expostos pelo docente;

Surgindo a necessidade de

 Revisões
 do apoio pedagógico na escola

 Este projecto foi desenvolvido em oposição aqueles


princípios com o objectivo desenvolver as
competências técnico-científicas dos docentes para
um bom desenvolvimento das aprendizagens das
crianças;
Características do
modelo
Alterações na atitude dos docentes:

Deixem de “ensinar” para ajudar a aprender;


aprender
Façam propostas de trabalho que levem os
alunos a elaborar os conceitos por
processamento de informação;
Saibam fundamentar as actividades que
propõem;
Saibam avaliar os resultados;
resultados
Façam formação em: prática educativa,
educativa
avaliação pedagógica e investigação.
investig
Princípios
 Os princípios operativos
 mais importantes neste modelo pedagógico:

1. Actividade do sujeito: o processo de desenvolvimento


individual tem um carácter sócio/construtivo;
2.
3. Relação dialéctica entre desenvolvimento e aprendizagem: é
importante compreender a distinção e o seu vinculo no
processo de ensino - aprendizagem;
4.
5. Fomento do conflito e do contraste entre pareceres (conflito
sócio-cognitivo): surge como um grande motor do processo de
desenvolvimento da criança. Só assim se dão as rupturas
epistemológicas;


4. Desenvolvimento das capacidades formais operativas:
potenciam a capacidade do indivíduo ter uma
aprendizagem permanente (aprender a aprender,
aprender a pensar) em detrimento da simples
transmissão de conhecimentos.
 desta forma


ustenta-se numa metodologia
Sustenta-se Orienta-se
de trabalho
em função
de projecto
dos conteúdos programáticos
Trabalhando transdisciplinarmente

Tema 1 – Eu e os outros
Tema 2 – Grupo das brincadeiras
Blocos Temáticos Tema 3 – Grupo familiar
Tema 4 – Comunidade escolar
Princípos
Ao longo do desenvolvimento dos blocos temáticos pretende-se que
os alunos desenvolvam:

Estruturas psicossociais; Estudo do meio


Estruturas psicomotoras; Educação visual
Estruturas de representação; Língua portuguesa
Estruturas operatórias; Matemática
Estruturas conceptuais.

Domínio das Domínio das aprendizagens


aprendizagens gerais específicas
Características do ambiente
institucional
Potenciam a liberdade de escolha, experimentação, segurança,
autonomia e a capacidade de tomar decisões. Promovendo o
desenvolvimento numa perspectiva sócio-construtivistas.

Espaços agradáveis

Espaços divididos em áreas

Áreas de interesse diversificadas

Materiais e objectos variados

Organização dos materiais


Conteúdos e Métodos
Conteúdos:
 Os conteúdos respeitam os do currículo do 1.º Ciclo do Ensino
Básico estruturados segundo dois eixos globalizantes, em que a
adaptação do modelo ao Ensino pré-escolar seguirá a mesma
estrutura:

Actividade Actividade
nuclear decorrentes

Privilegia a área de Utiliza a Língua


Estudo do Meio Portuguesa e
Parte de temas que são
Matemática
mais familiares para a Privilegia as
criança linguagens
Conteúdos e Métodos
 Métodos:
Decorrem de uma epistemologia construtivista


São metodologias de
descoberta e da investigação

Que levam a criança à construção do seu próprio


conhecimento,
conhecimento
Conteúdos e Métodos
Diagrama do Modelo Pedagógico
A importância do modelo
consiste em ser uma
referência entre a
teoria e a prática.
Os objectivos são
considerados como linhas
orientadoras da construção
das actividades. Trata-se
de construir uma
pedagogia com objectivo
e não uma pedagogia por
objectivos.
Conteúdos e Métodos
Diagrama do Modelo Pedagógico
A organização do tempo,
nas actividades
desenvolvidas, é
fundamental, e encontra-se
demarcado em três etapas:
o tempo de reencontro, o
tempo de sistematização e
o tempo de acabamento.

Tempo de
reencontro/readaptação:
preparação de um clima
psicológico propício ao
desenvolvimento do
processo de aprendizagem
sistematizada.
Conteúdos e Métodos
Diagrama do Modelo Pedagógico

Tempo de sistematização:
Centra-se nas actividades
nuclear e decorrentes .Tempo
forte de aprendizagem dos
conteúdos programáticos

Tempo não estruturado:


Tempo de acabamento
momento em que a criança
termina o trabalho ou fazem
outros trabalhos não
programados.
Conteúdos e Métodos
Diagrama do Modelo Pedagógico

Tempo de acabamento:
Encerra o conjunto de
actividades e tem lugar a
avaliação. É um
momento de grande valor
psicopedagógico.
Conteúdos e Métodos
 Quadros de referência para o desenvolvimento do
Modelo

Componentes epistemológicasComponentes Componentes


psicológica pedagógica
natureza do conhecimento e sua metodologia
Respeito pelo Coerência entre o
processo de processo de ensino
desenvolvimento e os dois
do aluno elementos
referidos
anteriormente

Valorizando a experimentação e descoberta da criança


Avaliação
- A avaliação das aprendizagens centra-se na
avaliação formativa;
-
- Assume um carácter formativo influenciador
do processo de desenvolvimento;
-
- Utiliza as modalidades de diagnóstico e
sumativa, e apostam na auto avaliação ;
-


Avaliação

- Tem em vista a progressão pessoal e a


autonomia das crianças, que se encontram
directamente implicadas no processo;
-
- Permite ao educador orientar, reformular e
adequar as actividades pedagógicas.
Avaliação
Diagnóstica:

 Ocorre no início do projecto a desenvolver,


não tem qualquer intenção classificativa, e o
seu objectivo é o de identificar o
posicionamento das crianças, em relação ao
seu desenvolvimento naquele contexto e
acontece o mesmo com a formativa.

-


Avaliação
 Formativa:
 Assume um grande relevo, possibilitando a
compreensão do processo de ensino -
aprendizagem, a fim de nele poder entrevir
oportunamente e eficazmente;
 Paralelamente, assume-se como uma ferramenta
que orienta o processo de produção de “informação
útil para a gestão da aprendizagem”.
Quadro síntese do modelo
adaptado ao
Pré-escolar
Modelo Valores e teorias cientificas Características do Conteúdos e métodos Formas de
ambiente utilizados avaliação

ENSINAR Contexto Espaços agradáveis Conteúdos Diagnóstica

É Princípios operativos: Espaços divididos em Formação social e Formativa

INVESTIG 1. Actividades sujeito; áreas pessoal


AR 2. Relação dialéctica entre o desenvolvimento e Áreas de interesse Expressão e comunicação

a aprendizagem; diversificado Conhecimento do Mundo

3. Fomento do conflito e do contraste entre Materiais e objectos Conteúdos programáticos

pareceres; variados 

4. Desenvolvimento das capacidades formais e Organização dos Métodos utilizados


operativas. materiais metodologia de projecto

métodos específicos das

Teorias Cientificas áreas disciplinares


Pedagogia construtivista (método global na
Conhecimentos científicos das várias áreas aprendizagem da
leitura/escrita)

Actividades
desenvolvidas

 A lengalenga “Uma casa muito estranha”, de


António Mota, inicia um conjunto de actividades
relacionadas ao tema “Eu e os Outros”, levando-
os ao desenvolvimento da sua identidade pessoal/
social, que será a actividade nuclear. A partir
desta serão desenvolvidas actividades
decorrentes (da área da Matemática e Língua
Portuguesa).
A relação do “Eu e os Outros” surge através da Annie que,
aproveitando a figura da bruxa, tenta desdramatizar tal
personagem assustadora. Esse “Eu” vai evoluindo ,
crescendo , relacionando – se com os “Outros” ajudando-os
a ultrapassar todos os receios e inseguranças que a bruxa
ou outras situações lhe possam provocar.
Partindo dessa brincadeira (orientada com toda a atenção),
procura-se desenvolver a consciência de que somos todos
diferentes. Apresentamos características físicas distintas
e semelhantes que devem ser respeitadas.
Divertiram-se com as rimas, brincaram com as palavras,
explorando-as de uma forma diversificada, manipularam
imagens (cartões) para as mais diversas actividades.
Numa primeira actividade, procurou-se levar as crianças a perceberem “Como
sou eu ?“do seu “Eu” e dos “Outros” através da identificação das características
físicas, pela exploração (utilizando o espelho, pela observação dos outros,…)
No final, as crianças podem explorar os números, através da contagem (meninos
com os olhos verdes, cabelo castanho, …)
Foi a partir da actividade anterior explorou-se a noção de número
através das caricas, do colar de contas, da recta numérica.
Partindo da lengalenga, procurou-se
explorar a consciência fonológica,
através da identificação de palavras
que rimem.

Pequenos grupos de
trabalho.
A lengalenga foi lida com ritmo, dando ênfase às rimas.
Após a leitura, seleccionou-se um cartão e pediu-se à criança que identificasse
uma palavra que rime com a apresentada. As crianças retiraram o cartão, com a
palavra que rima, do cartaz onde se encontrava escrita a lengalenga.
Após a divisão silábica, pediu-se às
crianças que preenchessem uma tabela
de dupla entrada, colando os cartões
manipuláveis de forma a relacionarem a
palavra ao número de sílabas da
mesma.

De seguida, com a orientação da


educadora, as crianças estabeleceram
comparações. Assim foi desenvolvido a
consciência de palavra (inserido na
consciência fonológica).
No final das actividades, as crianças fizeram uma reflexão individual como
momento de análise e avaliação individual (dita individualmente e escrita pela
educadora). Este momento foi encarado com interesse e grande envolvimento das
crianças.

O jogo do corpo humano era muito giro porque


Registo das actividades e jogos tinha as carinhas de todos e nós descobrimos
propostos que somos todos diferentes. MARIA F.
O das cruzinhas foi o que mais gostei porque
tinha lá os meninos todos. FRANCISCA
O jogo das flores era giro e era para procurar as
O jogo das rimas e das sílabas foi muito divertido
peças que formam o número que está no meio
porque a bruxa era a Natália disfarçada. Ela
da flor. BERNARDO
trouxe a lengalenga e era muito esquisita.
O jogo que mais gostei foi o das bolinhas (colar
ALEXANDER
de contas) e eu tinha de contar e por o número
A bruxa veio e trouxe o jogo da lengalenga que
da mola, que era igual. MATILDE SILVA
era de uma casa muito estranha e eu achei
Gostei mais dos números, o que fizemos do
muito engraçado ela comer na banheira. MARIA
comboio, porque era o mais difícil e todos.
C.
AFONSO
Gostei da bruxa e do jogo das sílabas eu disse à
Ficava muito giro as tampas com as bolinhas e
bruxa que bidé tem 2 sílabas. A parte que mais
contar o número. Era divertido procurar.
gostei foi de ouvi as palavras que rimavam.
HENRIQUE S.
EMMA
O quadro de como eu sou foi fácil e eu tenho
O das flores foi o meu preferido porque tinha de
cabelo castanho, liso. Os meus olhos são
por os números certos. LOURENÇO
castanhos e a minha boca é fina. MARIA S.
Eu só me lembro da bruxa e gostei quando
O jogo das contas das flores foi o que mais
fizemos aquilo das sílabas e de bater as palmas
gostei era muito giro e eu nunca tinha jogado.
para as palavras: chocolate, sala, bidé e cozinha.
DIOGO
Ela era muito maluca pois punha as meias na
Gostei dos números, foi divertido fazer o
frigideira e cozinhava na cama. Punha as botas
comboio com os números que faltavam para a
na gaveta. PEDRO A.
carruagem. TOMÁS
Gostei do jogo das palavras que a bruxa disse.
Eu fiz a flor que tinha o vinte e eu tinha de
Ela era muito esquisita mas o jogo era muito
procurar tampinhas com bolinhas até ter o vinte.
divertido. MADALENA
Foi giro. HENRIQUE P.
Gostei do corpo humano porque foi engraçado
Gostei de jogar o das bolinhas e depois de meter
ver que somos todos muito diferentes, mas eu
as bolinhas nas pétalas até ter o mesmo número.
não sou vaidosa. BEATRIZ
MATILDE G.
Considerações finais -
actividades

Este trabalho foi bastante motivador , dinâmico, divertido, mas sobretudo


muito enriquecedor no desenvolvimento global e harmonioso deste grupo.

As crianças aderiram unanimemente, com muito êxito, concentração mas,


sobretudo, com muito dinâmismo.

Divertiram-se e atingiram alguns objectivos propostos, o que se verificou


nas suas reflexões individuais.

Consideramos que, através das actividades desenvolvidas subordinadas


ao tema “Eu e os Outros”, se confirmou a flexibilidade que o modelo
revela, nomeadamente na capacidade de adaptação ao ensino pré-
escolar.
Considerações finais

Este modelo foi construído para o
Ensino Básico, mas a sua estrutura
pode e deve aplicar-se a todos os níveis
de ensino, mantendo os princípios
orientadores, a metodologia e alterar os
programas a desenvolver em qualquer
nível de ensino ou até no trabalho ou
vida do quotidiano.