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FRANÇOIS DOSSE

 Os historiadores, particularmente os franceses, tendem a interrogar-


se sobre os métodos e virar as costas para qualquer reflexão de
ordem epistemológica no campo da história.
Filosofar, segundo Lucien Febvre, precursor da Escola dos Annales,
filosofar constituiria crime capital.
 A profissionalização progressiva da disciplina histórica ao longo do
século 19, depois o diálogo privilegiado com as ciências sociais no
século XX não permitiram aproximar a prática da história do
pensamento da história conduzida pelos filósofos.
 Heródoto, nascimento do histor
 A história, como modo de discurso específico, nasceu de uma lenta
emergência e sucessivas rupturas com o gênero literário, em torno
da busca da verdade.
 Heródoto inova efetuando vários deslocamentos decisivos, que
permitem a emergência do gênero histórico. Celebra-se não mais a
lembrança das grandes façanhas, mas procura-se a conservação da
memória daquilo que os homens realizaram, glorificando não mais os
grandes heróis mas os valores do coletivo dos homens, no quadro
das cidades.
 A grande oscilação que preside o nascimento da história reside na
afirmação da comunidade cidadã da polis. É a consciência política
que permite passar da essência épica do discurso à existência
política: a passagem de Homero a Heródoto.
 O histor substitui as musas e os heróis como autor do relato.
 O relato histórico ouvido faz acreditar que o olho escreve, o que
induz a conferir primazia à percepção, à oralidade sobre a escritura,
que é secundária. Quando o ver falha, resta a possibilidade do
recurso ao que se ouviu dizer, o que ainda confirma a supremacia da
oralidade.
 Heródoto foi, durante muito tempo, apresentado como um mentiroso, um
simples fabulador.
 É preciso esperar o século XVI para que Heródoto saia do purgatório, com
a obra de Henri Estienne que lhe consagra, em 1566, uma verdadeira
apologia.
 A descoberta do novo mundo, a multiplicação das viagens, a consciência da
alteridade, nesse início de modernidade, oferecem um contexto favorável à
recepção da obra de Heródoto.
 Houve um novo banimento de Heródoto, no século XIX, em nome da
suspeição que se abate sobre as fontes orais, o que revela a ambivalência
do discurso histórico, sempre tensionado entre o real e a ficção.
 Heródoto foi, durante muito tempo, apresentado como um mentiroso, um
simples fabulador.
 É preciso esperar o século XVI para que Heródoto saia do purgatório, com
a obra de Henri Estienne que lhe consagra, em 1566, uma verdadeira
apologia.
 A descoberta do novo mundo, a multiplicação das viagens, a consciência da
alteridade, nesse início de modernidade, oferecem um contexto favorável à
recepção da obra de Heródoto.
 Houve um novo banimento de Heródoto, no século XIX, em nome da
suspeição que se abate sobre as fontes orais, o que revela a ambivalência
do discurso histórico, sempre tensionado entre o real e a ficção.
 Com Tucidides, passa a haver um culto ao verdadeiro e um
concomitante desqualificação da obra de Heródoto. Tucídides
reprova Heródoto por ficar muito perto da lenda e muito longe das
restritas regras de estabelecimento da verdade.
 Heródoto, pai da história, torna-se também pai das mentiras.
 Delimitando seu campo de investigação ao que ele poderia
observar, Tucídides reduziu a operação historiográfica a uma
restituição do tempo presente, resultando de um ocultamento do
narrador, que se retira para deixar falar os fatos.
 No próprio nascimento do gênero histórico encontra-se, portanto,
essa ilusão de auto-ocultamento do sujeito histórico e de sua prática
da escrita para melhor dar ao leitor a impressão de que os fatos
falam por si mesmos.
 Interrogando-se sobre a razão do declínio do império ateniense,
Tucídides, como Heródoto, privilegia o olho, o olhar, como fonte da
verdade, mas, diferente do seu predecessor, ele afasta qualquer
fonte indireta, o “dizer o que se diz”. O saber histórico é então
exclusivamente o ver.
 A herança legada por Tucídides, como sua insistência sobre o
contrato de verdade, permaneceu no centro da vocação histórica,
assim como sua preocupação com a demonstração que anima o
relato fatual, verdadeiro operador de uma escolha consciente para
escorar a hipótese a ser verificada pelo leitor.
A discurso histórico é nessa fase fortemente marcado pela
importância da retórica argumentativa. Existiria em toda questão
dois argumentos contrários convicentes. Além disso, o movimento
dialético do seu pensamento nasce do seu confronto.

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