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A Metafísica de

Aristóteles (livro I - A)

Carlo Natali
A ciência procurada e o ser enquanto
ser

 Nos primeiros livros da Metafísica (A, B, G, E, mais a e D),


Aristóteles se ocupa da natureza da filosofia primeira, pondo
em primeiro lugar o problema da sua existência, depois
indicando o âmbito de investigação.
 Nos Analíticos o problema ei estin é posto para todos os objetos
da ciência e não para a disciplina [...].
 Pelo contrário, aqui é da própria ciência que se procura a
existência, ainda antes de se ter estabelecido o seu objeto.
 No início da [Metafísica] não encontramos um plano geral da
obra como nos [Primeiros analíticos] ou nos [Tópicos], mas o
estilo, sobretudo ao início de A, é refinado e lento, parece
dirigido ao público culto ateniense em geral e não só aos
membros do perípato.
A ciência procurada e o ser enquanto
ser

 O modo de proceder de Aristóteles é muito original, mas tem


um paralelo parcial em [Política] I, 2, e [Poética] 4-5.
 O livro A divide-se em duas seções, embora tenha uma
organização de base unitária e muito sui generis. A primeira
seção, capítulos 1-2, é uma espécie de manifesto filosófico,
através do qual Aristóteles declara a sua posição teórica e a sua
interpretação do que é a filosofia strictu sensu.
 Relativamente à noção de filosofia propugnada por Isócrates,
correspondente a uma oratória útil para a cidade, e bem fundada
nas opiniões dos atenienses abastados, Aristóteles coloca-se da
parte da Academia platônica, mas de modo decididamente
pessoal.
A ciência procurada e o ser enquanto
ser

 Por essa função, o livro A de Aristóteles foi considerado por


muitos como uma obra exotérica de Aristóteles, o Protréptico
ou Exortação (à filosofia), que provavelmente dedicou ao rei de
uma pequena cidade da ilha de Chipre, Témison.
 Pelo contrário, outros pensam que esse livro recupera materiais
de outra obra perdida, o Peri philosophias.
 A metafísica é fruto de um instinto humano inato, o desejo de
saber, citado naquele que é um dos mais famosos inícios de uma
obra filosófica. Diz ele:
 Todos os homens desejam por natureza saber (980a21).
A ciência procurada e o ser enquanto
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 Portanto, a filosofia não é fruto de uma forma sublimada de


eros, como no Banquete de Platão (204a-b), mas uma urgência
natural humana mais sutil, embora não menos forte.
 Aristóteles demonstra-o em A I, com um duplo movimento
progressivo, primeiro ontogenético e depois filogenético.
 Na primeira seção (980a21-981b13), Aristóteles estabelece que
a busca do conhecimento é uma função natural e agradável,
uma das atividades que definem a essência do ser humano.
 Com esse objetivo, reconstrói a evolução do conhecimento
segundo o princípio da scala naturae que [é apresentada] no
[De ânima], nos [Parva naturalia] e sobretudo em [Analíticos
segundos] II, 19 [...].
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 O estagirita subdivide os seres vivos em os que têm


simplesmente a percepção sensível, os que possuem a
capacidade de recordar e os que a partir da memória
desenvolvem uma primeira forma rudimentar de conhecimento
do universal, isto é, a experiência.
 Depois, da experiência, no caso humano, passa-se a um
conhecimento mais completo do universal, que é denominado
“técnica” no campo produtivo e “ciência” em âmbito puramente
cognoscitivo.
 Segundo a opinião comum, a característica de ser sapiente,
acrescenta Aristóteles, é atribuída a quem possui estas formas
mais evoluídas de saber, que são caracterizadas pelo
conhecimento quer do universal, quer das causas das coisas
(981a24-30) .
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 Aristóteles não cria um fosso entre natureza e cultura, mas faz


da cultura a natureza do ser humano: desenvolver a ciência e a
técnica é para o homem tão natural e, por conseguinte, tão
prazenteiro, como para os castores fazer barragens e escavar
tocas.
 Até aqui, Aristóteles baseou-se nos dados das suas
investigações psicológicas; sucessivamente dirige-se, segundo o
método dialético, às opiniões notáveis ou endoxa para mostrar
que a perfeição da função cognitiva humana é o conhecimento
das causas, dado que todos apreciam e consideram sapientes
(sophoi) sobretudo os que conhecem essas coisas (981a31-b13).
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 Na parte final do capítulo (981b13-982a3), Aristóteles esboça a


evolução da cultura humana das artes úteis e necessárias às artes
que tornam prazenteira a vida e, por fim, às ciências puras e não
ligadas à práxis, que se desenvolveram quando a humanidade
produziu uma casta como os sacerdotes egípcios, que não estava
vinculada às ocupações práticas.
 Aristóteles não é um pensador arcaizante e nele nunca se
encontra a ideia de uma idade do ouro relativamente à qual a
época presente seria um estado de decadência.
 Partindo daqui pode Aristóteles considerar concluído o primeiro
objetivo, isto é, mostrar
 que todos defendem que aquela que chamamos sabedoria diz
respeito às causas primeiras e aos princípios (981b27-29)
A ciência procurada e o ser enquanto
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 O capítulo A 2 baseia-se de novo, e quase exclusivamente, nas


opiniões notáveis; com efeito, todos defendem que a sabedoria
tem por objeto qualquer coisa universal e sobretudo as
realidades mais obscuras e difíceis para nós, que sabe dizer as
causas da realidade e ensiná-las aos outros – não por um fim
prático, mas pelo próprio saber –, que a ciência acima de todas
as outras é o conhecimento das realidades, das causas e dos
princípios primeiros, entre os quais se acham também o bem e o
fim (982a4-b7).
 Chega-se então a uma primeira definição nominal do termo
shopia:
 [...] o nome que estamos a investigar aplica-se (piptei) só a um
tipo de ciência; esta deve ser a que estuda (theoretiken) os
princípios primeiros e as causas; com efeito, quer o bem, quer
o fim para o qual tende entrram nas causas (982b7-10)
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 O termo sophia, “sapiência”, todavia, será lentamente


abandonado nos livros sucessivos. É interessante notar que, se é
verdade que para Aristóteles a filosofia nasce do espanto
(thaumazein), isto é, do tomar consciência de que não se sabe o
porquê dos fenômenos, essa porém, conclui-se com a
eliminação do próprio espanto:
 de certo modo a sua posse deve pôr-nos num estado oposto ao
de partida; de fato [...] todos começamos por espantar-nos pelo
modo como estão as coisas [...] mas é preciso chegar ao estado
de espírito oposto, que é o melhor, segundo o provérbio,
quando [...] já aprendemos; com efeito, um perito de geometria
só se espantaria se a diagonal fosse comensurável no lado
(983a11-21).
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 A metafísica aristotélica não se identifica com um perguntar


perpétuo, um problematizar indefinido e nunca concluído.
 A função superior própria do ser humano não consiste só em
investigar, mas em encontrar respostas e ensiná-las aos outros.
 A ideia da filosofia como pesquisa constante e insaciável é de
origem tardia e não pertence à época grega clássica.
 Na conclusão da primeira parte de A temos uma ideia geral do
que é para Aristóteles a forma de saber denominada
“sapiência”; estes capítulos contém só um esboço, que deve ser
completado e precisado nos livros seguintes.
 A segunda seção do livro, A 3-10, divide-se em dois. Esta é
bastante empenhadora filosoficamente e requer um público
mais atento e perito em relação aos capítulos A 1-2.
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 A primeira parte, A 3-7, contém uma primeira especificação da


definição relativa ao termo “causa”.
 Aristóteles adverte que “causa” se diz de quatro maneiras,
distinguidas por ele na [Physica]: essência, matéria, princípio
motor e causa final.
 Para suportar essa teoria, ele cita uma série de opiniões notáveis
e diz que quer refazer as opiniões dos predecessores para ver se
alguém encontrou outras causas diversas destas (983b5-6).
 Duas observações impõem-se imediatamente. Antes de tudo
aqui já não se fala só das causas do movimento, como na
[Physica], mas em geral das causas do ser, em nível universal e
metafísico.
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 De fato, Aristóteles diz que quer examinar as opiniões


 dos que antes de nós chegaram ao estudo dos entes e
filosofaram sobre a verdade (aletheia) (983b1-2).
 Portanto, o ponto de vista da investigação é aquele relativo à
investigação dos entes e os seus princípios, quais e quantos são.
 Em segundo lugar, o teste diz respeito à possibilidade de haver
outras causas; Aristóteles não toma em consideração a ideia de
admitir que as causas em geral são menos do que quatro,
embora muitos dos seus predecessores reconheçam só uma ou
duas.
 A característica comum dos principais tratados aristotélicos é
examinar as teorias dos predecessores: aqui, todavia, o
desenvolvimento é diferente.
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 Noutros textos, como, por exemplo, em [Physica] I, 2 e [De


ânima] I, 2-5, as opiniões são expostas de modo sistemático e
com díerese, enquanto aqui são analisadas numa perspectiva
histórico-sistemática.
 Em geral, porém, Aristóteles segue, mesmo que de longe, o
esquema da [Physica] II, 1: primeiro expõe as teses dos que
admitem só a causa material, depois as dos que admitem a
forma.
 Todavia, não faz uma obra de historiador: não segue um fio
cronológico rigoroso na sua exposição, mas um fio lógico, e
calha dizer que a posição de um certo filósofo, Anaxágoras
 cronologicamente é anterior a Empédocles, mas pelas suas
obras, vem depois (987a11-12).
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 Aristóteles parte das posições dos que defendem que a realidade
é apenas uma série de conformações transeuntes de uma matéria
básica que não se gera nem nunca se destruirá ([Physica] I, 1
[...]).
 Essa posição encontra seu archegos, o primeiro descobridor, em
Tales (983b20), com quem se começa verdadeiramente a
história da filosofia.
 De fato, Aristóteles recusa a tese de que a filosofia nasce do
mito e que os primeiros filósofos foram os teólogos mais
antigos que narraram a origem do universo por Oceano e Tétis.
 Depois distingue os que põem o princípio primeiro na água
(Tales), no ar (Anaxímenes), no fogo (Heráclito), em todos os
elementos (Empédocles).
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 É uma divisão que ainda hoje encontramos em todos os


manuais: a nossa historiografia do pensamento dos pré-
socráticos baseia-se ainda essencialmente nessas páginas de
Aristóteles, de onde se retira a estrutura-base.
 Como é óbvio, porém, Aristóteles escrevia em uma época em
que os textos dos pré-socráticos estava à disposição de quem os
quisesse ler.
 Portanto, não está empenhado a dar-nos uma história da
filosofia, mas uma resenha histórico-crítica das opiniões de
quem veio antes dele [...].
 Para antecipar as conclusões desta resenha, ela no final dirá que
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 todos parecem ter investigado as causas de que falamos na


Física e não se poderia falar de qualquer uma fora dessas, mas
fizeram-no de modo confuso, e [se] de certo modo todas foram
mencionadas antes de nós, noutro não o foram de todo
(983a11-15).
 A descoberta das causas dá-se progressivamente, com base no
desejo de encontrar a verdade que impele esses filósofos. De
fato, bem cedo eles perceberam que a causa material era
insuficiente e,
 enquanto procediam desse modo a coisa mesma mostrou-lhes a
estrada e empurrou-os para uma pesquisa ulterior (984a18-19)
 .
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 De fato, a matéria sozinha não pode mover-se e, por


conseguinte, eles foram obrigados a introduzir uma causa
ulterior, o princípio do movimento.
 Só os eleatas, para quem o ser é um e imóvel, não sentiram essa
necessidade, mas a sua posição levou-os a um beco sem saída, e
o próprio Parmênides não conseguiu manter firme a sua tese
(987a29-b4).
 Os outros filósofos chegaram, empurrados pela realidade, a
admitir que existe também uma causa motora e inteligente de
que deriva a ordem do universo.
 Fê-lo Anaxágoras, que postulou o nous como causa motora e
causou uma viragem no pensamento dos físicos (984B15-19).
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 Tal causa, porém, é descrita de modo impreciso e parece ter


sido encontrada por acaso,
 Como nos combates calha aos inexperientes que lançam golpes
sem precisão acertar em algo (985a23-24).
 A crítica a Anaxágoras repete a do Fédon de Platão: postulou
um princípio importante, mas depois não soube fazer uso dele
nem tirar todas as consequências (985a18-21, cf. [Phaedon]
97b98a).
 Depois de Empédocles, que postula dois princípios motores, os
atomistas parecem recair no mesmo erro ao admitirem só a
causa material, átomos e vazio, sem se ocuparem do princípio
do movimento (985b4-20).
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 Pelo contrário, a causa formal foi descoberta por outros


filósofos autonomamente e não, como com a causa motora, a
partir da insuficiência da causa material.
 Os primeiros a vê-la forma os pitagóricos, que
 afirmaram que os elementos (stoicheia) dos números eram
elementos de todos os entes (986a1-2).
 Eles captaram, embora de maneira grosseira, também a noção
de essência (ti estin) e a necessidade de definir os entes
(horizesthai) (987a21).
 Além disso, descobriram que toda a realidade se baseia nos
contrários (986a29-b2). Mas parecem também entender os
números como matéria dos entes (986a17 e 986b6), e, em
geral, a sua noção de forma.
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 Depois dos primeiros filósofos vem Platão, caracterizado pela


separação do mundo das Ideias do mundo material.
 Aristóteles explica essa estranha ideia de seu mestre defendendo
que Platão primeiro aderiu às doutrinas de Heráclito –
entendendo-as no sentido de que tudo devém e nada é realmente
–, depois, seguindo os ensinamentos de Sócrates, descobriu a
importância de definir os entes e, por conseguinte, a essência,
que é o que a definição exprime.
 Mas recusou admitir que as definições se aplicam aos entes
materiais e inventou outro nível de realidade, objeto das
definições, falando de Ideias (986a29-b8).
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 Além disso, acrescenta Aristóteles resumindo o Fédon, as coisas


sensíveis existem junto das Ideias e são denominadas não por si
mesmas, mas com base nas Ideias: de fato, as coisas sensíveis
“participam” ou “imitam” as Ideias (987b8-10).
 Segue-se uma reconstrução complicada da metafísica do último
Platão, que não é possível encontrar como tal nos diálogos, mas
que constitui o conjunto das chamadas doutrinas não escritas do
filósofo ateniense.
 Junto das ideias estariam os princípios matemáticos e os
princípios contrários seriam os elementos das Ideias: o grande-
pequeno como instância material e o Uno como instância
formal, de onde as Ideias derivariam por participação (987b14-
22).
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 Hoje, esse resumo é objeto das mais ásperas polêmicas entre os
estudiosos de Platão, sobretudo na Europa continental; eles
dividem-se entre os que defendem que as notícias oferecidas
por Aristóteles são um caso de desentendimento colossal das
teorias do mestre e os que, pelo contrário, defendem que o
verdadeiro núcleo do pensamento de Platão se encontra nas
doutrinas não escritas, com matizes intermédios.
 Resumindo o que se disse até aqui, em A 7 Aristóteles
estabelece que num certo sentido os predecessores
mencionaram todas as causas da [Physica], mas unicamente de
modo confuso.
 A segunda parte, A 8-9, contém uma série de problemas
(aporiai) relativos às posições em geral dos filósofos que cita, e
não só a suas doutrinas da causalidade (988b21).
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 O ponto de vista de Aristóteles é o da sua filosofia e o auditório


desses capítulos, que são muito mais árduos e complicados do
que os que precedem, devia ser composto por membros da
Academia ou do Perípato.
 Através da sua crítica, Aristóteles desenha em traços amplos o
conteúdo da sapiência que começou a descrever.
 O capítulo A 8 engloba os físicos e os pitagóricos, enquanto os
eleatas e os atomistas deixam de ser citados, como se o seu
contributo para a investigação sobre o ser fosse de menor
importância.
 Fato estranho, visto o espaço e o interesse que Aristóteles havia
dedicado aos atomistas no [De generatione et corruptione] [...].
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 Os monistas são criticados por muitos aspectos, sobretudo por


não considerarem a substância e a essência como causas
(988b28-29); Empédocles é criticado pela implausibilidade das
suas propostas.
 Anaxágoras e os pitagóricos obtêm reconhecimentos, junto com
críticas, por se terem aproximado das posições dos pensadores
sucessivos e mais avançados.
 De fato, o primeiro, ao opor o Nous à mistura sem qualidade, de
certa maneira antecipa a oposição acadêmica de Uno e Diverso
(989b15-21).
 Os pitagóricos, por sua parte, admitem justamente também
entes não sensíveis, como os números, e mesmo ocupando-se só
do mundo sensível, postulam como causas e princípios.
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suficientes para conduzir também os entes superiores, aliás,
mais aptos a esses do que aos raciocínios relativos à natureza
(990a5-7).

 As teses de Platão e de seus seguidores são seguramente


melhores do que as dos seus predecessores. E, todavia, também
elas não são isentas de críticas.
 O capítulo A 9 contém 25 objeções contra as doutrinas de
Platão. Começa-se com a crítica da teoria das Ideias para depois
passar-se às chamadas doutrinas não escritas (990a33-991b9).
 Aristóteles concentra-se sobretudo na ideia de que as Formas
platônicas não são causas adequadas dos eventos do mundo
sensível; esse texto aparece com algumas modificações no fim
da [Metafísica] e constitui os capítulos M 4-5 [...].
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 Aristóteles polemiza contra o Platão da maturidade, como


exprime na República e no Fédon, segundo o qual a realidade
material é descrita como o reflexo confuso e empobrecido de
uma realidade separada, plenamente existente e perfeitamente
determinada, a das Formas ou Ideias.
 A ligação das Ideias ao mundo material explica-se, de modo não
totalmente claro, como uma relação de participação ou
imitação.
 Ora, os estudos platônicos há mais de um século chamaram a
atenção para o fato de a posição daqueles diálogos não ser tudo
o que Platão tem para dizer sobre o argumento, e como em
outros diálogos a relação entre Formas ideais e mundo do devir
é mais sutilmente articulada e problematizada.
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 Mas a Aristóteles servia o Platão desses diálogos para explicar,


por contraste, o seu pensamento e ilustrar a sua posição, e dele
se serviu, falando a um publico que obviamente sabia que
Platão tinha escrito também outras coisas.
 A segunda parte de A 9 (991b9-993a10) exprime-se de modo
sintético e difícil de acompanhar; o objeto da crítica são os
princípios primeiros admitidos por Platão e por alguns dos seus
seguidores.
 Aristóteles continua a investigar a função causal das Ideias,
junto com as teses de que as Ideias são números, por
conseguinte, muito pouco aptas para serem causas, e de que
também existem os números ideais junto dos números
matemáticos.
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 Aqui aparece pela primeira vez a tese, que será central em G 2,


segundo a qual o ser se diz de várias maneiras (992b18-19 [...]).
 Antes do livro B os manuscritos deixaram-nos outro breve
livro, que não pertence sequer à numeração geral da
[Metafísica], mas é chamado de “a menor”, como se se dissesse
“I bis” ou “A breve”.
 É composto por três seções não muito interligadas entre si. A
primeira, a 1, trata a pesquisa da verdade, se é fácil ou difícil, e
mostra uma atitude maiormente caridosa em relação aos
predecessores de outras passagens semelhantes.
 De fato, diz Aristóteles, mesmo quem se exprime de modo
superficial ajuda, nem que seja só por mostrar aos leitores a
atitude correta a ter quando investigam (993b13-14)
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 O capítulo a 2 postula um princípio importante: as cadeias


causais não são infinitas, nem sequer por tipo, com efeito, as
causas são no máximo quatro, não sendo infinita nenhuma
destas quatro.
 A tese não é nova, encontramo-la nas obras lógicas e nas físicas,
mas aqui é argumentada de forma ampla e, contrariamente aos
capítulos a 1 e 3, de modo muito técnico.
 Para cada fenômeno, Aristóteles postula uma causa primeira,
para lá da qual não se deve ir, e uma série mais ou menos
comprida de causas intermédias.
 As cadeias causas aristotélicas na realidade são segmentos
causais, de que a causa mais importante é a mais distante.
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 Sucessivamente os estóicos tomarão a posição oposta: as
cadeias causais são infinitas e formam um entrelaçamento
contínuo, mas nelas a causa mais importante é a próxima, a
mais próxima ao efeito, que determina completamente ou de
modo principal o seu acontecimento; pelo contrário, nos outros
textos Aristóteles parece estar da parte deles.
 O capítulo a 3 liga-se sobretudo a certas passagens das Éticas e
explica que em cada disciplina deve exigir-se um nível de rigor
adequado à matéria tratada; isso vale também para a ciência da
natureza, e o capítulo parece um fragmento de um prólogo à
[Physica].
 O livro a contém considerações gerais válidas para cada
disciplina, e não específicas da filosofia primeira. Se o
testemunho de Asclépio merece alguma confiança, esse livro
parece mesmo uma daqueles acrescentados pelos discípulos de
Aristóteles – um pouco mal feito – para completar o tratado.
REFERÊNCIAS

NATALI, Carlo. Aristóteles. Tradução: Maria da Graça Gomes


de Pina. São Paulo: Paulus, 2016. p. 207-217.
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