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Direito Penal II

AÇÃO PENAL

Profa. Esp. CRISTIANE CORDEIRO MACHADO


CÓDIGO PENAL AÇÃO PENAL

Conceito: Direito de pedir ou exigir a tutela


jurisdicional do Estado visando a
resolução de um conflito advindo de um
fato concreto.

Fundamento do direito de ação: art. 5º


XXXV da CF/88: a lei não excluirá da
apreciação do poder judiciário, lesão ou
perigo de lesão
2
CLASSIFICAÇÃO DA AÇÃO PENAL

Ação penal pública: o titular dessa ação é o MP,


a peça da acusação dessa ação é a denúncia;

Ação penal de iniciativa privada: o Estado


outorga a iniciativa para o ofendido, a peça é a
queixa-crime.

3
4
CÓDIGO PENAL AÇÃO PENAL PÚBLICA:

Ação penal incondicionada: a atuação do MP não depende


de representação do ofendido ou requisição do ministro
da justiça. A regra é que os crimes, quase na sua
totalidade, são de ação pública incondicionada.

Ação penal condicionada: a atuação depende de


representação do ofendido ou requisição do Ministro da
justiça. Hoje em dia cada vez mais as ações estão
migrando para a representação.

5
CÓDIGO PENAL
AÇÃO PENAL DE INICIATIVA PRIVADA:
Ação penal privada personalíssima: a queixa só pode ser oferecida pelo
próprio ofendido não sendo cabível a sucessão processual. Se a vítima
morrer não se transmite. Único exemplo no CP, art. 236 do CP:
Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro
contraente, ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento
anterior: A ação penal depende de queixa do contraente enganado
e não pode ser intentada senão depois de transitar em julgado a
sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o
casamento.

Ação penal exclusivamente privada: essa admite sucessão processual.


Crimes contra a honra, se a pessoa vier a óbito pode os representantes
prosseguir, dar inicio.
Art. 31 do CPP: No caso de morte do ofendido ou quando declarado
ausente por decisão judicial, o direito de oferecer queixa ou
prosseguir na ação passará ao cônjuge, ascendente, descendente
ou irmão.

Ação penal privada subsidiária da pública: somente é cabível da inércia


6
do MP.
PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL: Para os dois tipos
de ação
Princípio da inércia ou do ne procedat
iudex ex officio: ao juiz não é permitido
dar inicio à ação penal de oficio (Art. 109
da CF).
Princípio do non bis in idem processual
– ninguém pode ser processado duas
vezes pela mesma imputação. Está
expressa na Convenção Americana de
Direito Humanos, art. 8º.
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Princípio da Intrancendência – a denúncia ou
queixa só pode ser oferecida em face do provável
autor do fato delituoso. Em se tratando de
responsabilidade não penal, como a obrigação de
reparar o dano, é possível que os sucessores
respondam por morte do condenado. Mas na
esfera penal não há como incluir familiares que
nada tiveram haver com a prática do crime.
Art. 5º XLV DA CF/88: nenhuma pena passará da
pessoa do condenado, podendo a obrigação de
reparar o dano e a decretação do perdimento de
bens ser, nos termos da lei, estendidas aos
sucessores e contra eles executadas, até o limite
do valor do patrimônio transferido;
8
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS À AÇÃO PENAL PÚBLICA:
Princípio da oficialidade: atribuição aos órgãos do
Estado legitimados para a persecução penal.
Privativo da ação penal pública. O MP é órgão
oficial
Princípio da autoridariedade: os princípios das
funções persecutórias e da autoridade estatal.
Princípio da oficiosidade: deve a autoridade estatal
agir de ofício, ou seja, o MP tem o dever de agir
de ofício. Só depende de alguma provocação na
ação penal pública condicionada. Na
incondicionada, tem o dever de agir de ofício.9
Ação penal publica Ação penal privada

Princípio da obrigatoriedade ou Princípio da oportunidade ou


legalidade processual: presente as conveniência : mediante critérios
condições da ação penal e havendo próprios ou conveniência, o ofendido
lastros probatórios suficientes o MP é pode optar pelo oferecimento ou não da
obrigado a oferecer denúncia. O juiz é queixa crime. Vai ser aplicado antes do
fiscal porque pode mandar para o inicio do processo. Caso o ofendido não
procurador, também a ação subsidiária queira exercer seu direito de queixa, há
da pública. duas possibilidades: a) é decadência,
OBS! a) nada impede que o MP opine deixar fluir o prazo de 6 meses. b)
pela absolvição do acusado, art. 385 do renúncia expressa ou tácita, abrir mão
CPP,; do seu direito de queixa.
b) EXCEÇÕES ao princípio da
obrigatoriedade:
I – Transação penal, lei 9.099/95 art.
76. (princípio da obrigatoriedade
mitigada ou discricionariedade regrada,
II – Acordo de leniência.
III - TRANSAÇÃO FEITA PELO MP EM
CASO DE INVESTIGAÇÃO PRÓPRIA. 10
Ação penal publica Ação penal privada

Princípio da indisponibilidade– O Princípio da disponibilidade


MP não pode desistir/dispor da
– O querelante pode dispor
ação penal proposta e nem do
recurso que haja interposto. Art. do processo em andamento
42 e 576 do CPP. Exceção: a mediante: perdão do
suspensão condicional do ofendido (depende de
processo. Lei 9.099. Art. 89. aceitação) e perempção com
princípio da divisibilidade: o MP extinção da punibilidade e
pode oferecer contra alguns
desistência do processo em
acusados sem prejuízo do
prosseguimento das virtude de reconciliação, no
investigações em relação aos procedimento dos crimes
demais (adotar essa em contra a honra de
concurso). competência do juiz singular.
Art. 522 CPP. 11
c)Leis que tratam da delação premiada:
LEI DE CRIME HEDIONDO 8.072/90, EM SEU ART. 8º § ÚNICO:

Parágrafo único. O participante e o associado que denunciar à autoridade o


bando ou quadrilha, possibilitando seu desmantelamento, terá a pena
reduzida de um a dois terços.

Art. 159, § 4ª, EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO NO CÓDIGO PENAL:

4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à


autoridade, facilitando a libertação do sequestrado, terá sua pena reduzida de
um a dois terços.

Na Lei 7.492/86 - CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL -


ART. 25:
§ 2º Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o
coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à
autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida
de um a dois terços.
12
Na Lei 8. 137/90 - Lei de crimes contra ordem tributária – o art. 16 passou a prevê
a partir de 95:
Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou
partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou
judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços.

Leis 12.850/13, art. 4º - Organizações criminosas: o juiz pode:


1) Causa de diminuição de pena até 2/3 2) pode substituir a pena privativa de
liberdade por restritiva de direitos. 3) perdão judicial (natureza jurídica de
causa extintiva de punibilidade.

NA LEI 12.529/11 - CRIME CONTRA A ORDEM ECONÔMICA, art. 86, traz como
acordo de leniência ou acordo de brandura ou doçura, nas esferas judicial e
administrativa, como causa do não oferecimento da denúncia.

LEI DE DROGAS 11.343/06, art. 41 trata da delação premiada, cauda de


diminuição de pena de um a dois terços.
13
REPRESENTAÇÃO DO OFENDIDO:

Conceito: representação é a manifestação do


ofendido ou do seu representante legal no
sentido de que possui interesse na
persecução penal do fato delituoso. È como
dar o sinal verde para o Estado dar inicio a
persecução penal.

14
Destinatário da representação: de
acordo com o art. 39 do CPP:

O direito de representação poderá ser


exercido, pessoalmente ou por
procurador com poderes especiais,
mediante declaração, escrita ou oral,
feita ao juiz, ao órgão do Ministério
Público, ou à autoridade policial.16
Titularidade para o oferecimento da
representação: poderá ser exercido
pessoalmente ou procurador com poderes
especiais, no caso da representação não precisa
ser advogado.
Ofendido com 18 anos ou mais: a doutrina
processual penal acabou cedendo ao art. 5º do
CC. A menoridade acaba aos 18 anos.

17
QUESTÕES SOBRE MEDIDA DE SEGURANÇA

Ofendido com menos de 18 anos, o


mentalmente enfermo ou retardado mental:
quem vai exercer o direito é o
representante legal (qualquer pessoa
que de alguma forma seja responsável).

18
E se não houver representante ou colidência
de interesse, haverá nomeação de curador
especial que não está obrigado a oferecer
da queixa ou representação. Art. 33 do CPP.

20
Morte da vítima: o direito será repassado aos seus
sucessores (CADI) 1º - cônjuge, 2º - ascendentes, 3º -
descendência ou 4º - irmão. Muitos doutrinadores
acrescentam companheiro.
OBS! A ordem é preferencial, art. 36. 1º cônjuge,
OBS! Havendo divergência entre os sucessores prevalece
a vontade daquele que deseja dar inicio a persecução
penal
OBS o sucessor terá direito ao prazo decadencial restante,
contado do dia do conhecimento da autoria. Ex. a vítima
já tinha perdido 2 meses, resta 4 meses.

21
Prazo decadencial para o oferecimento da
representação: vale também para queixa-crime.
Art. 38 do CPP:

Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu


representante legal, decairá no direito de queixa ou de
representação, se não o exercer dentro do prazo de seis
meses, contado do dia em que vier a saber quem é o autor do
crime, ou, no caso do art. 29, (ação penal privada subsidiária
da pública) do dia em que se esgotar o prazo para o
oferecimento da denúncia.
Art. 46 CPP – 5 dias se acusado preso; 15 dias acusado solto.

22
RETRATAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO:

RETRATAÇÃO: é voltar atrás, arrepender-se, pressupõe


um prévio exercício de um direito. Ex. vítima de um crime
sexual faz a representação e depois se arrepende, pode
fazer até o oferecimento da denúncia. Art. 25 do CPP: “A
representação será irretratável, depois de oferecida a
denúncia"
Diferente de renúncia: abre mão de um direito que
ainda não exerceu.
Retratação da retratação da representação: (Indecisão)
num primeiro momento fez a representação, volta atrás,
e depois representa novamente. A maioria da doutrina
diz que sim desde que respeitado o prazo decadencial de
6 meses. Fernando Tourinho entende que não. 24
Requisição do Ministro da Justiça: é a
manifestação da vontade do Ministro da justiça
no sentido de que tem interesse na persecução
do fato delituoso. Ex. Crime contra honra do
Presidente da República. Não é sinônimo de
ordem, pois é o MP é o titular da ação penal.

Assim ocorre nos casos de crime contra a honra


contra o Presidente da República (artigo 145,
parágrafo único do CP) e nos crimes praticados
por estrangeiro, no exterior, contra brasileiro
(artigo 7º, parágrafo 3º, “b”, do CP).
26
Prazo decadencial para o oferecimento da
queixa subsidiária/queixa substitutiva.

O prazo decadencial de 6 meses. Começa a


contar a partir da caracterização da inércia
do MP. segundo o STF, é contado mês a mês
independente dos dias. Como na essência
essa ação penal é pública, a decadência do
direito de queixa subsidiária não irá
acarretar a extinção da punibilidade, ou
seja, se o MP não fizer a denúncia e a vítima
também não o fizer, não gera a extinção.
28
Poderes do MP na ação penal privada
subsidiária da pública: estão previstos no art.
29 do CPP:
Será admitida ação privada nos crimes de ação
pública, se esta não for intentada no prazo
legal, cabendo ao Ministério Público aditar a
queixa, repudiá-la e oferecer denúncia
substitutiva, intervir em todos os termos do
processo, fornecer elementos de prova,
interpor recurso e, a todo tempo, no caso de
negligência do querelante, retomar a ação
como parte principal.

29
1º poder: opinar pela rejeição da peça acusatória;
2º poder: o MP pode repudiar a queixa crime,
hipótese em que é obrigado a oferecer
denúncia substitutiva: não pedir o
arquivamento.
3º poder: também pode aditar a queixa crime,
tanto para incluir coautores ou outros fatos
delituosos, ou para incluir circunstância de
tempo ou de lugar.
4º pode: intervir em todos os termos do
processo: oferecer meio de prova interpor
recurso, caso não haja a intervenção do MP
haverá nulidade.
5º poder: verificada a negligência do querelante o MP
reassume o processo como parte principal. Essa
situação se chama ação penal indireta. 30
AÇÃO PENAL PRIVADA
INICIA PELA QUEIXA CRIME:

Cabe perdão do ofendido: perdão é ato bilateral, ou seja, só terá


efeito de extinguir a punibilidade se for aceito pelo querelado. Desta
forma, não basta o querelante conceder o perdão ao querelado,
devendo este aceitá-lo para que produza seus jurídicos efeitos.
o perdão ofertado a um dos querelados, a todos se estenderá art.
51 do CPP.
o perdão do ofendido poderá ser aceito pelo querelado, por meio de
procurador com poderes especiais (artigo 55 do CPP).
O perdão do ofendido poderá ser expresso, tácito, processual e
extraprocessual.
O perdão do ofendido expresso, ocorre através de declaração expressa
nos autos, devendo o querelado ser intimado no prazo de 3 (três) dias
para manifestar-se sobre a proposta, de acordo com o disposto na 1ª
parte do artigo 58 do CPP.
o perdão tácito, se dá quando notificado do perdão concedido pelo
ofendido, o querelado permanece em silêncio dentro do prazo legal 3
(três) dias, nos termos da 2ª parte do artigo 58 do CPP. 31
Renúncia
É uma forma de extinção de punibilidade pelo
direito de queixa, portanto refere-se somente
a ação penal privada. É um ato unilateral, é a
desistência do direito de ação por parte do
ofendido.
Em decorrência do princípio da indivisibilidade,
expressa no Artigo 48, a renúncia ao exercício
do direito de queixa, em relação a um dos
autores do crime, a todos se estenderá (Art. 49).

32
PEREMPÇÃO

Perempção expressa no Art. 60 CPP:


I – quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o
andamento do processo durante trinta dias seguidos;
II – quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua
incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no
processo, dentro do prazo de sessenta dias, qualquer das
pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no
artigo 36;
III – quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo
justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar
presente, ou deixar de formular o pedido de condenação
nas alegações finais;
IV – quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se
extingue sem deixar sucessor. 33
Dependem de manifestação
de vontade
􀀏 Renúncia
􀀏 Perdão

Decorrem apenas da inércia


do ofendido
􀀏 Decadência
􀀏 Perempção

34
AÇÃO PENAL NOS CRIME CONTRA HONRA: a regra é que esse crime seja de ação penal
privada.
EXCEÇÕES:
1ª: Quando o crime for injúria real (art. 140,§2º), praticada por
vias de fatos ou lesão corporal leve (tapa na cara) honra
subjetiva,
se praticado mediante vias de fato: privada,
se mediante lesão leve: publica condicionada a
representação.
Se for grave ou gravíssima: a ação é pública incondicionada.
2ª: Nos crime contra honra do Presidente da República ou Chefe
de Governo estrangeiro a ação é condicionada a requisição do
Ministro da Justiça.
3ª: Crime contra funcionário público em razão da função. Condicionada a
representação, o STF permite ação privada, Súmula 714 do STF: “É
concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do
Ministério Público, condicionada à representação do ofendido, para a
35
ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do
exercício de suas funções.”
4ª: nos crimes contra a honra durante a propaganda
eleitoral, eles passam a ter natureza eleitoral e são de
ação penal publica incondicionada.

5ª: crimes militares contra honra; são crimes de ação


penal pública incondicionada.

6ª: Injuria racial: art. 140 § 3º CP; comum em jogos de


futebol, houve uma modificação recente antes da lei 12.
033/09 esse crime era de ação penal privada, depois
da lei, passou a ser ação penal pública condicionada à
representação.
Art. 145, § único do CP: Procede-se mediante requisição
do Ministro da Justiça, no caso do inciso I do caput do
art. 141 deste Código, e mediante representação do
ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem
como no caso do § 3o do art. 140 deste Código. 36
§ 3º do art. 140: Se a injúria consiste na
utilização de elementos referentes a RAÇA,
cor, etnia, religião, origem ou a condição de
pessoa idosa ou portadora de deficiência

Injuria racial é ação penal pública condicionada


por conta da nova lei, diferente do racismo é
ação penal pública incondicionada.

37
AÇÃO PENAL NOS CRIME CONTRA A DIGNIDADE
SEXUAL:
regra é que seja pública condicionada à
representação Art. 225:
quando a vitima for menor de 18 anos, a ação penal
pública incondicionada.
Com relação ao abuso do poder familiar, se for menor
de 18 anos ou pessoa vulnerável entra na exceção,
se não entra na regra, ou seja, pública
condicionada à representação.
crimes cometidos contra pessoas vulneráveis, será
pública incondicionada
Crime cometido com violência real, qualificado por
lesão grave ou morte, a lei não fala nada é pública
incondicionada
38
AÇÃO PENAL NO CRIME DE LESÃO CORPORAL LEVE COM
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA OU FAMILIAR CONTRA A
MULHER. Polêmica trazida pela Maria da Penha. Lei
11.340/09.

Um marido pratica uma lesão leve, qual a espécie de ação


penal?
Por maioria de votos, vencido o presidente, ministro Cezar
Peluso, o STF julgou procedente (09/02/12), a ADI
4424, ajuizada pela PGR quanto aos artigos 12, inciso I;
16; e 41 da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006).
Corrente majoritária da Corte acompanhou o voto do
relator, ministro Marco Aurélio, no sentido da
possibilidade de o Ministério Público dar início a ação
penal sem necessidade de representação da vítima.
No mesmo julgamento também decidiram que não aplica a
lei 9.099. 39
Joana trabalha em uma padaria na cidade de Curitiba. Em um
domingo pela manhã, Patrícia, freguesa da padaria, acreditando
não estar sendo bem atendida por Joana, após com ela discutir, a
chama de “macaca” em razão da cor de sua pele. Inconformados
com o ocorrido, outros fregueses acionam policiais que efetuam a
prisão em flagrante de Patrícia por crime de racismo (Lei nº
7.716/89 – Lei do Preconceito Racial), apesar de Joana dizer que
não queria que fosse tomada qualquer providência em desfavor da
pessoa detida. A autoridade policial lavra o flagrante respectivo,
independente da vontade da ofendida, asseverando que os crimes
da Lei nº 7.716/89 são de ação penal pública incondicionada. O
Ministério Público opina pela liberdade de Patrícia porque ainda
existiam diligências a serem cumpridas em sede policial. Patrícia,
sete meses após o ocorrido, procura seu advogado para obter
esclarecimentos, informando que a vítima foi ouvida em sede
policial e confirmou o ocorrido, bem como o desinteresse em ver a
autora dos fatos responsabilizada criminalmente.
40
1 - Agiu corretamente a autoridade policial ao
indiciar Patrícia pela prática do crime de
racismo?
Não. Porque trata-se de crime de injúria racial
(art. 140, §3º do Código Penal), portanto, a
ação condicionada a representação.

2- Existe algum argumento defensivo para


garantir, de imediato, o arquivamento do
inquérito policial
Ação penal é condicionada a representação
havendo a renúncia do direito pela vítima. 41
Peça acusatória:
Denúncia -oferecida pelo
MP nos caso de ação
penal pública.
Queixa crime –oferecida
pelo querelante/CADI na
ação penal privada.
42
Requisitos da peça acusatória:

art. 41 do CPC:

A denúncia ou queixa conterá a exposição


do fato criminoso, com todas as suas
circunstâncias, a qualificação do
acusado (259 DO CPP) ou
esclarecimentos pelos quais se possa
identificá-lo, a classificação do crime e,
quando necessário, o rol das
testemunhas.
43
Procedimento Número de Se 2 crimes de
testemunhas roubo; acontecer
Comum Ordinário 8 em circunstancias
testemunhas distintas 8
Comum Sumário 5 testemunhas para
testemunhas cada crime ( STJ HC
Comum sumaríssimo 3 55 702)
testemunhas Não entram na
* contagem as
Primeira fase do júri 8 testemunhas
testemunhas referidas, as que
Segunda fase do júri 5 não prestam
(plenário) testemunhas compromissos,
Lei de droga 5 testemunhas aquelas que nada
44

No CPP Militar ordinário 6. testemunhas sabem a respeito


A peça deve ser subscrita pelo MP (denúncia) ou pelo advogado
(queixa-crime). A ausência de assinatura não é causa de
rejeição da peça acusatória, caso não haja dúvida a cerca da
autenticidade da denúncia ou queixa. Se o juiz perceber e
manda suprir a irregularidade.

Procuração da queixa crime: deve outorgar ao advogado


procuração com poderes especiais. Art. 44 do CPP:

A queixa poderá ser dada por procurador com poderes


especiais, devendo constar do instrumento do
mandato o nome do querelante (querelado) e a
menção do fato criminoso, salvo quando tais
esclarecimentos dependerem de diligências que
devem ser previamente requeridas no juízo criminal. 45
Prazo para o oferecimento da peça acusatória: art. 46 do CPP:

O prazo para oferecimento da denúncia, estando o réu


preso, será de 5 dias, contado da data em que o órgão
do Ministério Público receber os autos do inquérito
policial, e de 15 dias, se o réu estiver solto ou
afiançado. No último caso, se houver devolução do
inquérito à autoridade policial (art. 16), contar-se-á o
prazo da data em que o órgão do Ministério Público
receber novamente os autos.

46
PRAZO PARA O OFERICIMENTO DA DENÚNCIA

Denúncia para acusado preso 5 dias


Denúncia acusado solto 15 dias
Queixa para acusado preso 5 dias
Queixa para acusado solto 6 meses a partir da data do conhecimento da autoria
(prazo decadencial)

Prazos especiais
Droga: acusado preso ou solto 10 dias
CPPM
Preso 5 dias
Solto 15 dias
Economia popular preso ou solto 2 dias
Abuso de autoridade preso ou 48 horas
solto
Crimes no Código Eleitoral 10 dias 47

acusado preso ou solto


QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS DA INÉRCIA DO PROMOTOR

Cabimento de ação subsidiária da pública .


Perda do subsidio. Art. 801 do CPP:

Em se tratando de acusado preso caso o excesso seja


abusivo, deve haver o relaxamento da prisão por excesso
de prazo.

48
AÇÃO CIVIL EX DELICTO (artigos 63 à 68, CPP)

Possibilidade de o ofendido aguardar o desfecho do processo


penal e, em caso de condenação, promover no cível a
execução da sentença no juízo civil

Assim, o art. 91, I, CP, deixa claro que a sentença condenatória


penal torna certa a obrigação de reparar o dano, servindo
como título executivo judicial no cível. proferida pelo juiz
criminal, que é título judicial.

A vítima não precisa esperar o término da ação penal para


ingressar com a ação cível de conhecimento. Em ambos os
casos (ação de execução ou ação de conhecimento), haverá
ação cível ex delicto.
49
Legitimidade ativa:

Vítima,
Representante legal, no caso de menor ou doente
mental, ou
Herdeiros, no caso de morte ou ausência. Perceba-se
que no caso de óbito ou ausência a lei não se limita ao
cônjuge, ascendentes, descentes de irmãos, e sim a
todos os herdeiros. O MP pode entrar com a ação no
caso de vítima pobre, onde não houver defensoria
pública. Art. 68 CPP).

50
LEGITIMIDADE PASSIVA:

Autor do crime ou responsável civil. No Juizado Especial, se o


responsável civil fizer parte do acordo, a sentença
homologatória será titulo executivo contra sua pessoa.

COMPETÊNCIA:

Tanto a ação ex-delicto executória como a de


conhecimento correrão no juízo cível. A ação pode ser
ajuizada tanto no domicílio do autor, como no local do
fato, havendo concorrência de foros.
Hoje no Brasil existe a regra que a sentença penal pode
arbitrar o valor mínimo de indenização (ar. 387, IV
CPP), que é liquido e executável na esfera cível. As
pretensões cível e penal estariam veiculadas na mesma
ação, desde que haja pedido nesse sentido. 51
SUSPENSÃO DA DEMANDA CIVIL:

O juiz cível pode suspender a ação visando aguardar


o resultado do processo criminal, essa suspensão
pode ocorrer até mesmo antes do processo criminal
ter início, sendo que prosseguirá se a ação penal
não tiver início em 30 dias. Corrente majoritária,
inclusive o STJ entende que a suspensão é uma
faculdade do juiz.

52
Prazo Prescricional: começa a correr com o trânsito em julgado da sentença criminal
e prescreve em 3 anos. (art. 206, §3º, V do CC).

Se for condenado: a vitima pega o título executivo (certo e


exigível) vai executar no civil.
A jurisprudência entendem que a indenização deve ser
provocada e com o contraditório e ampla defesa
Se for absolvido: a vitima pode ingressar no civil para buscar
a reparação.
Fundamento da absolvição penais que fazem coisa julgada
no civil (não cabe indenização):

Réu absolvido por inexistência material do fato:


Absolvição pelo excludentes de ilicitude: cabe regresso, se
houve erro na execução e atingido um terceiro, ao
provocador da ação.
53
Glória, esposa ciumenta de Jorge, inicia uma discussão com o marido
no momento em que ele chega do trabalho à residência do casal.
Durante a discussão, Jorge faz ameaças de morte à Glória, que, de
imediato comparece à Delegacia, narra os fatos, oferece representação
e solicita medidas protetivas de urgência. Encaminhados os autos
para o Ministério Público, este requer em favor de Glória a medida
protetiva de proibição de aproximação, bem como a prisão preventiva
de Jorge, com base no Art. 313, inciso III, do CPP. O juiz acolhe os
pedidos do Ministério Público e Jorge é preso. Novamente os autos
são encaminhados para o Ministério Público, que oferece denúncia
pela prática do crime do Art. 147 do Código Penal. Antes do
recebimento da inicial acusatória, arrependida, Glória retorna à
Delegacia e manifesta seu interesse em não mais prosseguir com o
feito. A família de Jorge o procura em busca de orientação,
esclarecendo que o autor é primário e de bons antecedentes.
Considerando apenas a situação narrada, na condição de advogado(a)
de Jorge, esclareça os seguintes questionamentos formulados pelos
familiares:
A) A prisão de Jorge, com fundamento no Art. 313, inciso III, do Código
de Processo Penal, é válida?
B) B) É possível a retratação do direito de representação por parte de
Glória? Em caso negativo, explicite as razões; em caso positivo,
esclareça os requisitos. 54
Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna
da
frase:
O princípio da oportunidade _________
a) somente tem aplicação às ações penais públicas
incondicionadas.
b) somente tem aplicação às ações penais de iniciativa privada
ou públicas condicionadas à representação.
c) somente tem aplicação às ações penais públicas
condicionadas à representação.
d) não se aplica ao processo penal.

Letra B
55
Airton ajuíza contra Roberto uma queixa -crime.
Designada audiência, e intimado pessoalmente para
depoimento pessoal, o querelante, imotivadamente,
deixa de comparecer, sequer tendo comunicado a
ausência a seu advogado, também ausente. Para a
extinção de punibilidade de Roberto, o juiz
considerará que

a) houve renúncia de Airton.


b) ocorreu o perdão judicial.
c) houve perempção.
d) configurou -se preclusão consumativa.

Resposta: “c”. Esta hipótese de perempção está prevista


no art. 60, III, do CPP. 56
Assinale a opção correta acerca da ação penal
a) Se, em qualquer fase do processo, o juiz reconhecer extinta a
punibilidade, deverá aguardar o requerimento do MP, do querelante ou
do réu, apontando a causa de extinção da punibilidade para poder
declará -la.
b) A renúncia ao exercício do direito de queixa, em relação a um dos
autores do crime, não se estende aos demais.
c) A queixa contra qualquer dos autores do crime obrigará ao processo
de todos, e o Ministério Público, velará pela sua indivisibilidade.
d) O perdão concedido a um dos querelados aproveitará a todos,
inclusive o querelado que o recusar.

Resposta: “c”. É o que diz o art. 48 do CPP.

57
Das hipóteses relacionadas, assinale aquela
em que a decisão penal absolutória impede a
propositura de ação civil.

a) não constituir o fato infração penal.


b) não haver provas da existência do fato.
c) militar uma excludente de antijuridicidade.
d) estar provada a inexistência do fato.

Resposta: “d”. 58