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CRONOGRAMA DA DISCIPLINA

Prática do Ensino de História


Encontro 1
14.05.2018 Tema:Apresentação do Plano de trabalho da Unidade
Tema: Contextualização do Estudo da História Indígena

COLARES, A. COLARES, L, GOMES, M.A. História e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas: uma reflexão
necessária. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n.38, p.197-213, jun.2010.

Encontro 2
21.05.2018 Tema:Temáticas História e Cultura Afro-Brasileira, Indígena e Quilombola.

Leitura básica
FREIRE, J.R. Bessa. Cinco ideias equivocadas sobre o índio. In Revista do Centro de Estudos do Comportamento
Humano (CENESCH). Nº 01 – setembro 2000. P.17-33. Manaus-Amazonas. Disponível em:
https://moodle.ufsc.br/pluginfile.php/2534828/mod_resource/content/1/Cinco%20
ideias%20equivocadas%20sobre%20o%20indio%20.pdf

Leitura Complementar
RUSSO, K.; PALADINO, M.. Reflexões sobre a lei 11.645/2008 e a inclusão da temática indígena na escola.
ITABAIANA: GEPIADDE, Ano 08, Volume 16 | jul./dez. de 2014. Disponível em:
https://seer.ufs.br/index.php/forumidentidades/article/viewFile/4260/3538
Encontro 3
28.05.2018 Tema: Planejamento, execução e avaliação das propostas de ensino e aprendizagem

Leitura básica
FUSARI, J. C. O Planejamento do Trabalho Pedagógico: algumas Indagações e Tentativas de Respostas. Centro de
referência em Educação. Disponível em:
www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_08_p044-053_c.pdf

Leitura Complementar
KLOSOUSKI, S. S.; REALI, K. M. Planejamento de ensino como ferramenta básica do processo ensino-
aprendizagem. In: Revista Eletrônica Lato Sensu. 2008.

Encontro 4
04.06.2018 Tema: Planejamento, execução e avaliação das propostas de ensino e aprendizagem

Leitura básica
LUCKESI, Cipriano. Avaliação da aprendizagem escolar: um ato amoroso. 19 ed. São Paulo: Cortez, 2008.

Leitura Complementar
GATTI, Bernardete. O professor e a avaliação em sala de aula. Estudos em Avaliação Educacional, São Paulo, n. 27,
p. 97-114, jan./jun. 2003. Disponível em: . Acesso em: 16 jul. 2014.
Encontro 5

11.06.2018 Tema: O uso e adoção do livro didático: políticas de adoção

Leitura básica
BITTENCOURT, Circe. Livros e materiais didáticos de história. Ensino de História: Fundamentos e Métodos.
São Paulo: Cortez, 2008

Leitura Complementar
SILVA, Elvis R. L. da. Materiais didáticos e as múltiplas linguagens no ensino de História dos anos iniciais. In:
Anais do XXVII Simpósio Nacional de História da Anpuh: Conhecimento Histórico e Diálogo Social. Natal –
RN, 2013. Disponível em: http://www.snh2013.anpuh.org.pdf

Encontro 6 e 7

18 e 25/ 06.2018

Avaliação – Trabalho em sala de aula e extraclasse;


Ponto de Partida

 Não temos dúvidas de que podemos pensar na escola como uma instituição que pode contribuir para a
transformação social. No entanto, também não podemos acreditar pura e simplesmente que a escola pode
tudo transformar.

• Precisamos construir uma escola que não negue o acesso a conhecimentos historicamente
construídos, e ao mesmo tempo, que não naturalize as desigualdades econômicas e raciais.

• Por isso, é importante identificarmos as abordagens e estereótipos que desvalorizam as


manifestações dos povos originários.

Exemplos de abordagens comuns na sociedade (jornais, revistas, sites ...)


Revista Veja de 28 de abril de 2004

“Sem fé, lei ou rei”

(...) No Brasil do século XXI, todo dia é dia de índio. Os selvagens são vistos como defensores da
floresta e guardiães de culturas e línguas que precisam ser preservadas a todo custo.

A matéria "Sem fé, lei ou rei" trata do conflito entre índios Cinta-larga e garimpeiros no interior do Estado de
Rondônia.

é reflexo do posicionamento político de segmentos


A posição do periódico
dominantes em uma sociedade divida em classes sociais antagônicas.
Carta abaixo assinado feita por uma associação de moradores da cidade de Apuí ligada a extração de madeira e
garimpo ilegal - Matérias divulgadas pelo Portal Apuí em 26 de dezembro de 2013.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL condena por ilícitos em decorrência de publicações vinculadas no “Portal
do Apuí”, em desfavor do povo indígena Kagwahiva.
“A escola constitui-se em um espaço privilegiado para a
difusão de valores, incluindo o racismo, através de um
conteúdo eurocêntrico”.

Se confrontarmos a promulgação da Lei 11.645/08 que tornou obrigatória a


temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” nas escolas, com as
práticas de formação de professores, observamos a existência de um
descompasso do país, o oficial e o oficioso, o Brasil legal e o Brasil real.

Em outras palavras, a lei é promulgada, altera a LDB (Lei 9394/1996),


mas é o caso de questionarmos: quantas cursos de licenciatura
abordam a questão?
CINCO IDEIAS
E Q U I VO C A DA S
SOBRE O ÍNDIO
J O S É R I B A M A R B E S S A F R E I R E

P R O F. J U L I A N A VA L E N T I N I
Objetivo: Compreender as sociedades indígenas não é apenas procurar conhecer “o outro”, “o diferente”, mas
implica conduzir as indagações e reflexões sobre a própria sociedade em que vivemos.

Problemáticas
* Escassa produção de conhecimentos;
* Por que nós não temos história indígena?
* Por que os próprios cursos universitários não têm a disciplina história indígena nos seus currículos?
Ausência de fontes?

Levantamentos em todo território nacional indicam abundância de fontes históricas. Mas é necessário aprofundar
a pesquisa nesses materiais.
1. EQUÍVOCO: O ÍNDIO GENÉRICO

• Reprodução de ideias que tratam os povos indígenas como um bloco único, com a mesma cultura,
compartilhando as mesmas crenças, a mesma língua.

Reduz culturas tão diferenciadas a uma entidade supraétnica para ser o “índio genérico ”.
O erro está na forma como essa qualificação é utilizada e ao nosso desconhecimento sobre as diversas etnias
(Desana, Kagwahiva, Waimiri-Atroari, Munduruku ...) no caso de outras sociedades, como por exemplo a
Europeia essa denominação genérica não apaga a particular.

Apagamento dos sujeitos Históricos e suas tradições.


No Brasil vivem mais de 200 etnias, falando 188 línguas diferentes. Cada povo tem sua língua, sua religião, sua
arte, sua ciência, sua dinâmica histórica própria, que são diferentes de um povo para outro.

Informação sobre a diversidade linguística: Em estudo realizado pelo linguista tcheco Cestmir Loukotka, em
1968, sobre a classificação de línguas, mostrou que na Amazônia brasileira, em 1500, eram faladas mais
de 700 línguas diferentes. No território que é hoje o Brasil, eram faladas mais de 1.300 línguas.

A escola precisa funcionar como elo de comunicação, como ponte entre as culturas tão diferentes que
nos pariram, criando um exemplo vivo de diálogo entre culturas, de interculturalidade.
2. EQUÍVOCO: CULTURAS ATRASADAS

Ausência de estudo sobre as produções e conhecimentos tradicionais alimenta os preconceitos


socialmente disseminados.

Os povos indígenas produziram saberes, ciências, arte refinada, literatura, poesia, música, religião.

Considerando o grau de complexidade dessas línguas e religiões, considerar essas religiões e línguas
como “atrasadas” é produto, portanto, de extrema ignorância, de quem não estudou o problema.

Exposição realizada pelo Museu Paraense Emílio Goeldi o conhecimento sofisticado que os Kayapó
produziram acerca de plantas medicinais, agricultura, classificação e uso do solo, sistema de reciclagem de
nutrientes, métodos de reflorestamento, pesticidas e fertilizantes naturais, comportamento animal,
melhoramento genético de plantas cultivadas e semi-domesticadas, manejo da pesca e da vida selvagem e
astronomia. (Exemplo da Usina Angra dos Reis-1985, da Literatura do Jabuti, )

As ciências indígenas também foram tratadas de forma preconceituosa pela sociedade


brasileira. Os conhecimentos indígenas foram desprezados e ridicularizados, como se fossem a negação da
ciência e da objetividade.
3. EQUÍVOCO: CULTURAS CONGELADAS

Redefinição da imagem de como deve ser o índio e mudança nela provoca estranhamento. “Ah! Não é mais
índio” os “ex-índios”.
Estratégias de governos em deslegitimar as lutas dos movimentos indígenas, condicionar a utilização de recursos
tecnológicos modernos ao abandono de características étnicas/impossíveis de serem abandonadas.

O brasileiro pode usar coisas produzidas por outros povos - computador, telefone, televisão, relógio, rádio, aparelho de
som, luz elétrica, água encanada - e nem por isso deixa de ser brasileiro.

“As civilizações não são fortalezas, mas encruzilhadas”. Octávio Paz


Interculturalidade - o resultado da relação entre culturas violenta ou pacífica, exemplos: Escola, Língua Portuguesa,

A interculturalidade é uma construção conjunta de novos significados, onde novas realidades são construídas sem que
isso implique abandono das próprias tradições.

A cultura brasileira muda, a chinesa muda, a americana muda, todas as culturas mudam. As culturas
indígenas também mudam, e isto por si só não é ruim, não é algo necessariamente negativo. Não é ruim que mudem, o
ruim é quando a mudança é imposta, sem deixar margem para a escolha.
4º EQUÍVOCO: OS ÍNDIOS PERTENCEM AO PASSADO

Taxar de “primitivas” as culturas indígenas, considerando-as como obstáculo à modernidade e ao


progresso.

Ler o trecho do texto nos próximos slides


Como é vista nossa cultura fora da América??

Em 1985, o Governo alemão construiu um conjunto habitacional tipo BNH, em Berlim. Eram
blocos pré-moldados de 5 a 6 andares, uns caixotões de concreto pré-fabricados, com uma
fachada pintada de um amarelo duvidoso de diarreia.
Era muito pior que o conjunto Eldorado, ali no Parque Dez. Cerca de dez mil pessoas de
baixa classe média moravam lá, em 3.200 apartamentos. Os moradores reclamavam muito,
depois do trabalho não tinham vontade de voltar para casa, porque achavam o bairro feio, o
lugar horrível, pesado e triste.
O Instituto de Urbanismo de Berlim colocou 50 milhões de dólares para dar uma
melhorada, uma “guaribada” no bairro. Chegaram com os moradores e disseram: “a gente
quer mudar o bairro de vocês, mas a gente quer saber com que cara vocês querem que ele
fique”. Os moradores se reuniram, discutiram e concluíram: “nós queremos que nosso bairro
tenha a cara da América Latina que é bonita e alegre”. Foi feita a licitação e se
apresentaram mais de 50 escritórios de arquitetura da América Latina. Ganhou um escritório
brasileiro de São Paulo - Brasil Arquitetura.
Os moradores pediram: “nós
queremos que sejam colocados azulejos com
arte indígena, com desenhos dos povos indígenas”.
Os arquitetos decidiram sair atrás de desenhos novos, atuais, com uma série de dúvidas: será
possível encontrá-los, depois de 500 anos de contato, do saqueio colonial, do trabalho
compulsório, dos massacres, das missões, das invasões de terras, das estradas, dos colonos, dos
garimpos, das frentes extrativistas, das hidrelétricas, dos grandes projetos?

Os índios não teriam perdido suas fontes de inspiração? Em muitas sociedades indígenas, as
tigelas e potes de cerâmicas foram substituídos por peças de alumínio e plástica, as
indumentárias e adornos tradicionais foram trocados pelo vestuário ocidental: em que medida
este fato afetou a expressão artística tradicional?

Hoje existem mais de 200 povos indígenas, quase todos eles produzindo artes gráficas.

Os alemães acabaram optando pelos Kadiweu, cujos desenhos consistem em figuras


geométricas abstratas. Como a pintura Kadiweu é tarefa exclusiva da mulher, os dois
arquitetos realizaram concurso entre as índias da aldeia Bodoquena, no Mato Grosso do Sul.

No dia 19 de junho de 1998, essas estampas, transformadas em azulejos, foram inauguradas


nas fachadas dos blocos do Bairro Amarelo, alegrando-o, humanizando-o, tornando-o mais
belo, habitável e civilizado, facilitando a convivência e a comunicação entre os seus
moradores.
A aldeia Bodoquena ganhou 20 mil marcos alemães e mais
passagens e estadias de dez dias para as seis artistas indígenas,
que estiveram presentes na festa de inauguração.
A participação dos Índios Kadiwéu na renovação do Bairro Amarelo
ocasionou, pela primeira vez na história, o reconhecimento do direito
autoral de uma Nação Indígena. Em em 2002, o Museu Etnológico de
Berlim, recebeu a exposição Copyright by Kadiwéu, com a presença de
mais uma delegação de artistas da tribo.
Caso da cidade Alemã de Hellesdorf

Por que um povo, como o alemão, possuidor de um expressivo patrimônio artístico próprio, busca melhorar sua
qualidade de vida, lançando mão de elementos atuais das culturas indígenas? Será que moradores de bairros de
qualquer capital brasileira tomariam decisão semelhante?

Por que não?

A reforma urbana de um conjunto habitacional de Berlim com desenhos Kadiweu mostra os equívocos da
concepção evolucionista ultrapassada que considera as experiências das sociedades indígenas no
campo da arte e da ciência como primitivas, pertencentes à infância da humanidade, sem lugar no tempo
presente.
O 5 EQUÍVOCO: O BRASILEIRO NÃO É ÍNDIO

Há 500 anos atrás não existia no planeta terra um povo com o nome de povo brasileiro.
Esse povo é novo, foi formado nos últimos cinco séculos com a contribuição, entre outras, de três grandes
matrizes:

1. As matrizes européias, assim no plural, representadas basicamente pelos portugueses, mas também pelos
espanhóis, italianos, alemães, poloneses, etc;
2. As matrizes africanas, também no plural, da qual participaram diferentes povos como os sudaneses, yorubás,
nagôs, gegês, ewes, haussá, bantos e tantos outros;
3. Finalmente, as matrizes indígenas, formadas por povos de variadas famílias lingüísticas como o tupi, o karib, o
aruak, o jê, o tukano e muitos outros.

Identificação com a matriz que dominou política e militarmente os demais povos.

Proposta que perdurou na maior parte dos últimos 500 anos foi, “não conseguir assimilá-los deve ELIMINÁ-LOS”
(Comemoração dos 400 anos do Brasil).
Raízes Indígenas e Afro ...

Não é uma questão genética, é uma questão cultural, histórica.

Na hora em que aquele descendente de um alemão lá de Santa Catarina, louro e do olho azul, começar a
rir - como é que ele vai rir? Do que é que ele vai rir?

Quando tiver que fazer suas opções culinárias, de música, de dança, de poesia, de onde é que saem os
critérios de seleção?

Quando fala uma variedade regional do português, de onde veio essa forma de falar? É aí que afloram as
heranças culturais, as marcas indígenas e negras, ao lado das europeias.

Dessa forma esse sujeito assumiu um passado que não é dele individualmente, nem de sua família, mas é
coletivo, da nação, do povo ao qual ele agora pertence, mesmo mantendo algumas das particularidades da
cultura de origem.

Exemplo:Temos a mesma reação e reconhecimento da matriz europeia, da indígena e africana?

Esses não são os únicos equívocos que cometemos em relação aos índios e a nós mesmos, mas talvez sejam
aqueles que mereçam urgentemente ser discutidos.
Devemos nos colocar frontalmente contra as perspectivas que abordam a
história das chamadas minorias de forma folclorizada e pitoresca.

Afinal, a miséria, a segregação, o racismo, bem como a opulência possuem uma


história. Desvelar a trama da história é da mais alta relevância para a superação das
injustiças sociais.

Um longo caminho necessita ser vencido para que a escola seja um instrumento de
afirmação dos trabalhadores como classe, sem descuidar de questões culturais
específicas.

A falta de conhecimento das características e das especificidades regionais, em um


país com dimensões continentais como o nosso, bem como a desinformação
quanto aos referenciais das culturas silenciadas (como os diferentes povos
indígenas, negros e imigrantes) nos currículos escolares, contribuem para a
consolidação de visões estereotipadas e preconceituosas.
É urgente trazer para o âmbito da educação escolar a discussão sobre a história e a cultura
daqueles que foram excluídos. É importante que os filhos dos trabalhadores percebam que
não é só o vencedor que faz a história, mas que outros segmentos, independente de suas
origens étnicas possuem história e que é preciso conhecê-la para enfrentarmos os desafios
futuros.

Bibliografia
COLARES, A. COLARES, L, GOMES, M.A. História e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas: uma
reflexão necessária. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n.38, p.197-213, jun.2010.
REFERENCIAS

FREIRE, J.R.Bessa. Cinco idéias equivocadas sobre o índio. Manaus: Cenesch (Setor de
Publicações). Série Conferências, Estudos e Palestras. n. 1, p. 17-34, set. 2000.
Literatura Infantil Indígena
Literatura Infantil Indígena
Site com livros de temáticas indígenas para download:
http://radioyande.com/default.php?pagina=blog.php&site_id=975&pagina_id=21862&tipo=post&post
_id=282
Literatura Infantil Afro-brasileira e Indígena
REFLEXÕES SOBRE A LEI
11.645/2008 E A INCLU SÃO DA
TEMÁTICA
INDÍGENA NA ESCOLA
K E L L Y R U S S O
M A R I A N A P A L A D I N O
Objetivo: Compreender a implementação da Lei 11.645/2008, mais especificamente, analisa como a
temática indígena tem sido inserida na educação básica.

Etapas:
Observação e levantamento realizado nas escolas (Privada, Municipal e Estadual)
Levantamento de informações sobre os currículos dos cursos de História e de Pedagogia das
Universidades do RJ.
Estudo da legislação educativa existente que institui o reconhecimento da diversidade cultural e as
guias de livros didáticos elaboradas pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD)
Legislação
LDB de 1996 - princípios de pluralismo de ideias; características regionais, educação diferenciada bilíngue e
intercultural aos povos indígenas.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN, publicado em 1997, constitui o primeiro documento oficial em
salientar a importância da diversidade de culturas do Brasil e a necessidade de sua inserção como tema
de estudo na escola.

Até 2003, não houve uma legislação ou qualquer diretriz que definisse políticas para o reconhecimento da
diversidade étnico-racial no ensino básico. Isso muda com a Lei 10.639 incluir no currículo oficial da
Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira“ e Lei 11.645 de 2008 que
inclui história e cultura indígenas.
Debate:

A ideia de reconhecimento da diversidade cultural, e não o da interculturalidade, é a que tem


orientado as políticas educativas do país nos últimos anos.

A demanda por interculturalidade na educação escolar foi, e continua sendo em vários países da
América Latina, um elemento congregador dos movimentos indígenas.

O que é interculturalidade?
O que é interculturalidade?
1. É uma inter-relação, diálogo e troca entre culturas diferentes, sem sobreposição da cultura dominante sobre
outra subordinada (JULIANO, 1993).

2. É um instrumento de “empoderamento” das minorias, das populações que estão à parte da cultura hegemônica,
ao possibilitar o acesso tanto a conhecimentos próprios, quanto aos da sociedade envolvente, o qual lhes
permitiria lutar por direitos e autonomia (COLLET, 2006).

3. Envolve um processo de construção de um “outro” conhecimento, de uma “outra” prática política, de um


“outro” poder social; uma forma “outra” de pensamento em oposição à modernidade/colonialidade. E ao mesmo
tempo trazer à discussão a temática do poder e da desigualdade que muitas vezes são desconsideradas WALSH
(2002) e MIGNOLO (1999).

4. As autoras defendem que a educação intercultural não deve apenas ter por alvo as populações indígenas, os
afrodescendentes ou outras minorias presentes no país, mas deve atingir toda a população nacional. Nesta
perspectiva, conhecimentos destes povos deveriam formar parte do currículo escolar (PALADINO, ALMEIDA,
2012).

Fazem uma crítica aos materiais didáticos adotados, indicando que o Governo Brasileiro entende a
interculturalidade como uma via de mão única: são os povos indígenas que precisam ser “interculturais” e não a
sociedade brasileira.
LIMITES DA LEI

identificamos limitações no fato do conteúdo da Lei não explicitar abertamente o caráter multicultural do
país e se referir a negros e indígenas como “dois grupos étnicos” que caracterizam “a formação da população
brasileira”.
Ênfase “no resgate das contribuições (de negros e indígenas) nas áreas social, econômica e política,
pertinentes à história do Brasil”. Deixando subentender que sua relevência se associa apenas ao fato de que
contribuíram para a mestiçagem deste país, apontando a traços culturais isolados e folclorizados.

A lei recai especificamente sobre as disciplinas de História, Educação Artística, Literatura

LIMITE DAS ORIENTAÇÕES DIVULGADAS PELO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

Item sobre a Temática nas orientações indica: “respeito a diversidade”: não incorrer em qualquer forma de
discriminação ou de “violação de direitos”.

Cabe questionar que ideia de direitos está em jogo nas orientações do MEC: direitos humanos universais?
Direitos específicos? Direitos coletivos?

A preocupação pela diversidade cultural não esta presente nos livros didáticos de Ciências, Matemática e
Português, se essa preocupação não está presente no olhar dos avaliadores, isto irá refletir nos livros
didáticos. Se em algumas áreas disciplinares a discussão da diversidade cultural não se mostra presente para
os avaliadores, dificilmente teremos mudanças nos materiais didáticos nos próximos anos.
Nos livros de História

Para a maioria, especialmente no caso dos livros regionais, a partir da abolição os afro-brasileiros
desaparecem das páginas do livro.

Os povos indígenas só são considerados, muitas vezes, no período colonial. É como se eles
tivessem desaparecido, para só surgirem com a Constituição de1988.

Outro ponto que vale destacar é a crítica do guia sobre a permanência da imagem de um índio
genérico

ainda é preciso uma maior problematização sobre a inserção desses conteúdos não só nos livros
didáticos, como nos textos e orientações advindas de especialistas das diferentes áreas de ensino
que avaliam
essas obras para o MEC.
PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES SOBRE A LEI 11.645 E A TEMÁTICA INDÍGENA NO
CURRÍCULO ESCOLAR

75 Professores entrevistados

No grupo pesquisado, dez professores nunca haviam abordado o assunto, todos os demais já haviam trabalhado a
temática em suas aulas. Destes, 32 professores, significando 50% do grupo, revelaram só falar dos povos indígenas
em abril, seja pela data do Dia do Índio ou para tratar do “Descobrimento do Brasil”. Metade dos professores que
já abordaram a temática em sala de aula disse ter dificuldade em trabalhar sobre povos indígenas em suas aulas.

DIFICULDADES

“Falta de embasamento”, a “lacuna na formação inicial”, ou até mesmo o fato de “se sentir incomodado por
conhecer de forma superficial” a história e a cultura dos povos indígenas brasileiros.

FONTES DE INFORMAÇÃO PARA AS AULAS


1. Internet
2. Notícias de jornal
3. Livros didáticos

Qual a forma como os povos indígenas são retratados nos livros didáticos?
Qual a forma como os povos indígenas são retratados
nos livros didáticos?

* 80% dos professores disse que os livros didáticos apresentam os povos indígenas “de forma
generalizada”, “superficial” ou até mesmo, de forma “preconceituosa”.

Os livros didáticos produzem a mágica de fazer aparecer e desaparecer os índios na história do


Brasil.

Ao jogar os índios no passado, os livros didáticos não preparam os alunos para entenderem a
presença dos índios no presente e no futuro.

A desconsideração dos saberes indígenas, as inúmeras imprecisões conceituais, a confusão na grafia


dos nomes indígenas, entre outros aspectos
Além de não poderem contar com um livro didático que disponibilize informações mais atualizadas e completas
para a sua prática docente, a Formação dos Professores também parece deixar muito a desejar.

• 55% dos professores disseram que a temática nunca foi vista ou que não se lembram quando foi trabalhada;

• Entre os docentes que tiveram disciplinas voltadas para a temática, afirmava que mesmo nessas disciplinas a
temática indígena aparecia de forma muito limitada, pois, “só diziam para não reproduzir preconceitos,
mas não diziam como fazer!”

• 60% dos professores disseram já ter ouvido falar sobre essa Lei, enquanto 40% deles declararam nunca ter
• ouvido falar

• À guisa de Conclusão

A inclusão da temática indígena deve-se muito mais a iniciativas de professores de forma individual porque sentem-
se engajados com a questão.

Os setores governamentais que deveriam orientar e capacitar os professores são escassos de recursos humanos e
econômicos

Se por um lado reconhecemos os desafios para a implementação da inclusão da temática indígena na escola, por
outro, destacamos o atual ambiente propício para essa inclusão a partir da opinião dos professores entrevistados