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BORGES 2a.

Borges e a Linguagem
Livros:
Quilliot, Roland. Borges et l’Etrangeté du Monde. Strasbourg: Presses
Universitaires de Strasbourg, 1991.
Massuh, Gariela. Borges: una Estética del Silencio. Buenos Aires: Editorial de
Belgrano, 1980.
(orig. Borges: eine Ästhetik des Schweigens. Erlangen: Palm & Enke, 1979,
Erlangen Studien, Band 25.)

1. Origem e Magia - “En el principio de los tempos, tan dócil a la vaga


especulación y a las inapelables cosmoginías, no habrá habido cosas poéticas o
prosaicas. Todo sería un poco mágico” (El Oro de los Tigres - OC1, p.1081)
[Para Borges, como explica Quilliot, a literatura tem sua força originária na
poesia, origem do literário]. Q: “en un sens restreint, la poésie peut être définie
comme cet usage des mots qui vise à leur restituer la force expressive et
émmotionnelle qu’ils avaient (peut-être) à l’époque légendaire où on leur
attribuait un pouvoir magique, où ils ne se réduisaient pas à une fonction
utilitaire” (Quilliot, 173)

2. Música e Metáfora - [Para atingir esse fim, o poeta dispõe de dois


instrumentos, a música [Darío] e a metáfora [ver Niggestich] “Il [o poeta] doit
faire chanter les mots sans pour autant les priver complètement de leur sens, en
jouant sur leurs harmoniques naturelles, sur leurs sonorités, sur les valeurs
émmotionelles qui leur sont associées. Il doit aussi jouer du langage pour faire
sentir les afinités secrètes et les correspondances cachées qui unissent les
choses entre elles et faire apparaître dans chaque événement l’image d’une
autre partie du monde, le symbole d’une dimension plus essentielle de
l’existence” (Quilliot, 173) [Quilliot afirma então que o Borges da juventude cria
que tais metáforas teriam de ser sempre encontradas de novo, ao passo que o
Borges maduro crê que elas são em número finito e que a tarefa do poeta é
menos inventar do que redescobrir os laços eternos e universais que unem as
essências entre si - de fato o ensaio de Siete Noches sobre a poesia parece
confirmar isso, ver tb. o poema arte poética:] “tal es la poesía/Que es inmortal y
pobre/La poesía vuelve como la aurora y el ocaso” (OC1, p. 843) [Como
Massuh, Niggestich pensa que a metáfora desempenha um papel inferior e
secundário no mundo borgiano]: “Metaphern als literarischer Schmuck haben für
ihn immer eine untergeordnete Rolle gespielt” (p.5)

2. Redes simbólicas entre os seres (correspondências) - Quilliot: “En retrouvant


les identités symboliques fondamentales qui constituent pour le sujet vivant la
trame afective du monde, le poète réalise une sorte de dévoilement essentiel”
(174) [Q apresenta as múltiplas tradições nas quais Borges se baseia para
construir sua concepção de magia da linguagem, o judaísmo, o platonismo, as
magias árabe e chinesa...]
3. Magia 2 - [Assim explica Quilliot a concepção “mágica” de Borges]: “Attribuer
à la parole un pouvoir magique n’est qu’une façon de reconnaître que par sa
grâce, l’homme pénètre dans un nouveau type de réalité, celle des idées, qui
sont paradoxalement à la fois des irréalités et la clef de la maîtrise du réel” (175)
6. [Ao falar da escritura e do culto aos Livros, Q, menciona a idéia do texto final
e definitivo e a meta do poeta aí]: “Ce que cherche le poète, c’est la parole
definitive qui l’égalera à Dieu” (176). [Assim interpreta Q. a parábola de El
espejo y la Máscara: o primeiro é o poema acadêmico, o segundo o poema
romântico, estranho e profundo, o terceiro é o poema absoluto - sem dúvida,
algumas conexões com minha própria interpretação]

4. O Poema e o Segredo - [Sobre Undr, Q. afirma que a lição do poema é que


toda vida tem seu poema, sua chave, sua lei oculta que revela um abrégé do
mundo todo, mas tal chave é diferente para cada destino. E aqui entra um ponto
importante, onde a posição de Q. parece ser contrária à de Massuh]: “On voit
que dans cette perspective optimiste, le rêve poétique n’est pas voué à l’échec,
même si sa réalisation semble défier quelque peu las exigences de la
logique”(177) [Daí]: “Por Whitman y Francisco de Asís, que ya escribieron el
poema,/Por el hecho de que el poema es inagotable/y se confunde con la suma
de las criaturas/Y no llegará jamás al último verso/Y varía según los hombres”
(OC1, p. 937, gr. meu) Em El Espejo y la Mascara, Massuh tem uma
interpretação diferente da minha, pois crê que os presentes do rei são uma
expressão daquilo que ele deseja que o poeta faça na etapa seguinte, como
“antecipación de lo que vendrá después”(164/5)

5. O Silêncio e o negativo na linguagem - [Q. admite, que Borges, em La


Parabola del Palacio, tem uma perspectiva negativa da busca poética. O poeta
busca o poema único e final, mas este não existe, é uma “ficção literária”.
Contudo, Q. se nega a aceitar essa postura acadêmico-universitária de
Borges...] “Marino vio la rosa , como Adán pudo verla en el Paraíso, y sintió que
ella estaba en su eternidad y no en sus palabras y que podemos mencionar o
aludir pero no expresar y que los altos y soberbios volúmenes que formaban en
un ángulo de la sala una penumbra de oro no eran (como su vanidad soñó) un
espejo del mundo, sino una cosa más agregada al mundo”(OC1, p. 795)
[Resume Quilliot]: “En bref, l’essence des choses est définitivement hors
d’atteinte, et l’oeuvre d’art n’est jamais rien de plus qu’un ornement futile”(179)
[Existe un écart entre chose e mot, demonstrado, por exemplo no poema l’Otro
Tigre; daí, SI**]: “La realité brute est indicible, elle ne peut finalement
s’appréhender que dans le silence” (Quilliot, gr. meu, 179) [Cf. com Massuh]
[o poema Mateus, XXV, 30 mostra a admissão triste da derrota do próprio
Borges como poeta, que buscou o Poema e não o encontrou] Sobre tal silêncio,
Massuh diz: “paradójicamente este silencio no es una forma de no-decir, sino la
construcción de un espacio con una infinita capacidad expresiva” (169). Daí que
“una vez formulada, la palabra no significa nada porque explicitarla es limitar y
agotar su eventual multiplicidad semántica a una sola”(176) Nomear algo, diz
ela, é limitar esse algo.

6. Superação dos limites da linguagem - [Contudo, é aqui que surge a grande


virada de Quilliot. Ele crê que Borges, ao fazer da derrota (l’échec) um dos
temas essenciais de sua poesia, o argentino intenta de fato superar tal derrota]:
“proclamer l’échec d’un rêve que le bon sens juge dès le départ irréalisable, c’est
en fait une manière de défendre ce rêve, de le présenter dans la démésure de
son ambition, d’en montrer le caractère indéracinable (...) peut-être même faut-il
considérer que c’est en proclamant l’impossibilité d’écrire ‘Le poème’ qu’on
approche le mieux de sa réalisation”(180) [Mas Q. diz que é possível assumir
outra postura, a de que os limites da lit. e da linguagem são positivos, pois
implicam a continuidade da busca, que é característica essencial mesmo da
literatura. Como não podemos atingir a essência das coisas somos forçados a
persegui-las através de metáforas e símbolos, mas isso mesmo implica a idéia
de que exista uma verdade metafísica, ainda que inacessível a nós]: “Ce
faisant, il suggère l’idée d’une verité profonde et ultime, qui peut-être appartient
elle-même à un monde idéal platonicien que nous ne pouvons qu’entrevoir
confusément”(181). [ Como diz Borges no final de La Muralla y los Libros]: “La
música, los estados de felicidad, la mitología, las caras trabajadas por el tiempo,
ciertos crepúsculos y ciertos lugares, quieren decirnos algo, o algo dijeron que
no hubiéramos debido perder, o están por decir algo; esta inminencia de una
revelación, que no se produce, es, quizá, el hecho estético”(635) Nesse ponto, +
Massuh não parece concordar: para ela, entre o herege e o teólogo B. sempre
se inclina pelo primeiro, não porquequestione a existência de Deus, senão
“porque se rebela contra cualquier forma de saber absoluto, contra cualquier
doctrina que afirme la posesión absoluta de una verdad”(151) E tb.: “Gran parte
de la obra de Borges habla del agotamiento de las posibilidades redentoras de la
literatura y se debate conscientemente, con resignación, en un laberinto
lingüístico”(71) [E para Massuh, assim como para J. Rest, a possibilidade de
transcender tal labirinto reside no silêncio, no que ela chama de “silencio
provilegiado”, que difere radicalmente do dos místicos (72) E em seguida]: “El
misterio final que corona ciertos relatos de Borges no esconde un espacio
sagrado sino que se erige como una manera de agotar intencionalmente las
posibilidades expresivas de la palabra. De esta manera el lenguaje puede
superarse a sí mismo y abrirse hacia un reino de significaciones plurales que lo
contiene y al mismo tiempo lo supera” (72) [Massuh analisa vários (6) contos de
Borges e afirma que todos se encerram com o recurso a um elemento
significativo mais eficaz que a palavra] “Una de las formas de construir ese
lenguaje absoluto, que exprese infinitamente y que no esté sometido al tiempo,
es la formulación de un silencio de significaciones positivas; un espacio vacío
que puede ser ‘llenado’ por el lector”(184) Para Massuh, o silêncio é a única
coisa que se não logra descrever a multiplicidade do mundo, pelo menos é
capaz de sugeri-la (211) [Contudo, al final do texto Massuh deixa uma porta
aberta à metafísica]: se Borges insiste em estetizar uma dimensão que seria
sagrada, quem sabe se “Acaso se tiende con ello una trampa así mismo: detrás
de ella se descubre una acendrada necesidad de despojamiento que es quizá
algo más que una mera exigencia lingüística. Que esto permanezca también en
el ámbito del misterio”(239)

7. Borges e outros herméticos - [Q. aproxima Borges dos franceses românticos


e simbolistas, esp. Mallarmé, em quem ele vê muitos pontos em comum com
Borges]: “l’un et l’autre sont obsédés par le livre ultime, l’oeuvre ou même le mot,
qui maîtriseraient l’univers et aboliraient la contingence et le hasard, et tous les
deux savent l’inanité de ce fantasme”(181) [a grande diferença, segundo Q., é
que Borges nunca se rendeu à auto-mistificação ou aos sonhos metafísicos
deum Mallarmé; ele sempre manteve sua lucidez e ironia] - Já para + Massuh, a
diferença é que ao passo que o silêncio de Mallarmé é negativo, pois recusa o
sentido, o silêncio de Borges é positivo, pois se abre à multiplicidade de
sentidos, com a intervenção do leitor (236). Ela diz que Borges articula um
universo lingüístico que se articula por leis próprias, raciocínio que se pode
aplicar a grande parte da literatura que perdeu a fé nos valores expressivos e
miméticos da palavra, pg. 71, gr. meu] Massuh: “No es posible concebir la
narrativa de Borges fuera de los alcances de la crisis del lenguaje que comienza
a gestarse en la segunda mitad del siglo XIX” (204) Massuh cita Rimbaud,
Valéry e Eliot.

8. El Aleph - Massuh diz, com Roberto Paoli (apud p. 100) que Daneri é um anti-
Dante = (Dan) [te] [Alighi] (eri); [Beatriz] (Viterbo) e um anti-Borges, o que se
pode comprovar pelos elementos de sua poética: 1. “modo de producci]on
acumulativo”, 2. “justificación exterior” (pela crítica e pelo público), 3. busca da
“mot juste” (neoogismos ineficazes), 4. “culto artificial de la palabra” (p. 102/106).
Daneri tem uma fé absurda no poder mimético da palavra. Como diz Massuh
não se trata de copiar a realidade, “sino de enriquecerla, de aumentar las
posibilidades significativas a través un lenguaje que aluda a esa trascendencia”
(110) Há um mistério por trás do mundo e a tarefa do poeta será “por lo menos
intentar definir ese misterio” (ibid). O Aleph tem a estrutura de uma experiência
mística, mas não seu coneúdo, pois em B. o problema não é Deus, mas a
aspiração a uma língua absoluta, que possa dizer tudo: “Dicho en términos
lingüísticos, se trataría de un significante capaz de contener la mayor cantidad
de significados posibles en forma instantánea” (116, gr. meu) Daí que a busca
do narrador “implica una manera de superar los límites de la palabra, para
acceder, más allá de ella, a una unidad significativa absoluta: la búsqueda de un
elemento capaz de manifestar la mayor cantidad de significaciones posibles”
(118)

9. Símbolos - Para Massuh, mundo, prisión e sueño são símbolos que se


equivalem e que conotam a multiplicidade contra a qual o projeto de uma
palavra única e sintética se opõe. Não apenas em La escritura..., mas vários
outros contos, como El acercamiento a Al-Mu’tasin terminam pelo silêncio, sem
que os personagens profiram a palavra final. Al-Mu’tasin (mutismo) nunca fala,
não obstante o título da obra de Bahadur.
10. Alegoria e Novela (ou símbolo?) - Em De las Alegorías a las Novelas, B.
opõe a alegoria, como tentativa de esgotar a realidade à novela:
alegoria=espécie=“realismo” X novela= indivíduo=nominalismo

10. Impessoalidade - Massuh: “su afán de negar la identidad personal no es un


problema psicológico (o filosófico, como ha querido ver cierta crítica), sino el
síntoma de esa necesidad de que un elemento pueda referirse a una totalidad
en forma conjunta”(178) “Porque más que el hombre, más que el poeta, es la
obra la que debe lograr ser esa identidad que conjugue todas las significaciones
posibles”(180)

Borges e o Modernismo
[Em El Oro de los Tigres, ele afirma que seus versos procedem do modernismo,
cuja definição é a grande liberdade poética - OC1, p. 1081]