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Junto com a evolução científica, observam-se formas diferentes no

aspecto da procriação tornando a reprodução assistida uma realidade de fato.


Trata-se da maternidade por sub-rogação, a chamada “barriga solidária”, que é
uma das técnicas de reprodução assistida e atualmente vem sendo utilizada em
nossa sociedade não havendo legislação específica.

Conhecida ainda, vulgarmente como “barriga de aluguel”, por um fato


alarmante de que as pessoas, através do sistema capitalista, buscam lucrar
“alugando” o útero ou “vendendo” gametas. Scarparo, apud Fernandes (2000, p.
115) afirma que “numa sociedade competitiva e capitalista, seria utopia exigir-se
ato de tamanho desprendimento e doação sem correspondente ressarcimento
pelo benefício”.1

No entanto, há a Resolução 2.168/2017, do CFM que veda a utilização


comercial do útero ou em relação aos gametas, inclusive limitando o parentesco
das mães que cedem a barriga solidária até o quarto grau, porque a ideia da
barriga solidária é ajudar pessoas que não podem ter filhos facilitando o processo
de procriação, seja por motivo de infertilidade ou risco de vida, é uma questão
de dignidade e não financeira.

Observa-se que esta forma de reprodução está amplamente ligada ao


princípio da dignidade da pessoa humana, posto que a infertilidade é
considerada pela Organização Mundial da Saúde uma doença e, o Estado tem
o dever legal de efetivar o direito à saúde coletiva, devendo regulamentar a
barriga solidária que é uma das últimas esperanças após esgotados todos os
meios de reprodução, sendo assim, uma forma de efetivar o direito a procriação
como uma forma de dignidade. Em se tratando de casal homoafetivo, é uma das
formas de concretização da felicidade e, negar ou dificultar esse direito é negar
a felicidade às pessoas que buscam ter filhos sendo uma forma de indignidade.

Trata-se, portanto, de um direito previsto constitucionalmente no artigo


226, o livre planejamento familiar, no qual está amparado o direito da utilização
da maternidade por sub-rogação, estando de acordo com o princípio da

1
FERNANDES, Tycho Brache. A Reprodução Assistida em face da Bioética e do Biodireito: aspectos do
direito de família e do direito das sucessões. Florianópolis: Diploma Legal, 2000.
legalidade e da anterioridade, devendo o Estado promover e garantir essa forma
de direito, ou seja:

Não havendo uma proibição expressa, são válidas todas as técnicas


de reprodução assistida, inclusive a maternidade por sub-rogação,
sendo meios legítimos de satisfazer os direitos de todo o ser humano
de se reproduzir e perpetuar, com suporte moral e sentimento de
igualdade. (OLIVEIRA, 2000).2

2
OLIVEIRA, Deborah Ciocci Alvarez de; BORGES JR., Edson. Reprodução Assistida: até onde podemos
chegar? Compreendendo a ética e a lei. São Paulo: Gaia, 2000.